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Família de Renata Cardim, morta no PA, pede agilidade no julgamento de Hélio Gueiros Neto

O réu deve ir a júri popular, acusado de homicídio triplamente qualificado, e teve o passaporte recolhido pela Justiça. A defesa recorreu da decisão e alega morte por causa natural.

 
 -   / - G1  / FolhaPA
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"É uma morte muito mal contada, muito estranha. (...) O que eu peço é agilidade nessa segunda fase (do processo), porque estou confiante na Justiça", disse Maria do Socorro Cardim, mãe de Renata Cardim, advogada que teria sido morta asfixiada, em março de 2015 no Pará, pelo então esposo, Hélio Gueiros Neto. A asfixia mecânica foi atestada por perícia particular contratada pela família. Hélio deve ir a júri popular, por determinação da Justiça. A defesa recorreu.

O réu é acusado pela promotoria de Justiça por homicídio triplamente qualificado, incluindo feminicídio, asfixia e traição - quando a vítima não tem chance de defesa. A pedido do Ministério Público do Pará (MPPA), a Justiça retirou o sigilo do processo e pediu o recolhimento do passaporte do acusado, proibindo o réu de sair do país.

Segundo o advogado de defesa, Roberto Lauria, Hélio pretendia participar de um casamento em Portugal. "Ele passou todo o processo em liberdade, nunca ofereceu risco ao processo, nunca tentou qualquer hipótese de fuga, por óbvio nós já recorremos ao Tribunal", disse.

A defesa de Hélio alega ainda que a vítima passou mal e teve morte por causa natural, o que foi atestado pelo Instituto Médico Legal (IML). De acordo com a alegação, Renata passou mal no apartamento onde os dois viviam. O laudo do IML apontou que Renata teve ruptura de uma artéria que vai do coração ao abdômen - aunerisma de aorta abdominal.

O perito contratado pela família de Renata, Leni Inimar, disse que ela "não apresentava qualquer doença que fosse motivadora da formação do aneurisma, e muito menos a ruptura da aorta".

"O Hélio Gueiros Neto que chamou a família para socorrer a esposa, uma pessoa que de alguma forma quisesse ocular alguma conduta errada, jamais imediatamente chamaria da família", disse Roberto Lauria, advogado de defesa.

Relacionamento conturbado

Hélio Gueiros Neto é acusado de feminicídio pelo assassinato da esposa Renata Cardim — Foto: Reprodução / TV Liberal Hélio Gueiros Neto é acusado de feminicídio pelo assassinato da esposa Renata Cardim — Foto: Reprodução / TV Liberal

Hélio Gueiros Neto é acusado de feminicídio pelo assassinato da esposa Renata Cardim — Foto: Reprodução / TV Liberal

A família da vítima contou que Renata não gostava de falar do relacionamento e que as brigas eram frequentes. Danilo Cardim, irmão, comentou que, de vez em quando ela aparecia com machucados. "Ela aparecia, mas quando a gente questionava, ela falava que era da academia".

Mensagens trocadas pelo casal foram anexadas ao processo judicial. A mãe Maria do Socorro disse que a família ficou horrorizada com o que Hélio escrevia para a esposa. "Nós vimos o celular dela, tudo o que ele falava para ela, chamando de demônia, dizendo que odiava ela, tentando deixar ela para baixo", contou.

O caso Renata Cardim

O Ministério Público do Pará (MPPA) apresentou as alegações finais do caso que investiga a autoria da morte de Renata Cardim, no dia 14 de janeiro de 2019. De acordo com a denúncia, no dia 27 de maio de 2015, por volta das 2h45, Hélio Neto asfixiou a vítima que estava deitada após ter sido sedada.

“O crime ocorreu pelo fato do denunciado não suportar mais a esposa e encontrar-se insatisfeito com o seu modo de ser, situação que levou o acusado de forma fria, cruel, premeditada matá-la asfixiada, conforme restou evidente no relatório do Instituto Médico Legal e das conversas de whatsapp extraída do celular de Renata Cardim”, enfatizou o 4º promotor de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Franklin Lobato Prado.

O MPPA pediu a pronúncia de Hélio Gueiros Neto pelo crime de feminicídio qualificado, decorrente de violência doméstica e familiar e menosprezo à condição de mulher, combinado com o crime de fraude processual.

Reviravolta

Neto foi denunciado depois da exumação do cadáver da vítima. A morte dela foi considerada, inicialmente, natural, mas depois o laudo cadavérico revelou que a advogada morreu de asfixia mecânica por sufocação direta.

Hélio Gueiros Neto nega ter matado a esposa. Ele já teve pedido de habeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na qual a defesa queria a suspensão da ação penal a que ele responde.

O desembargador Mairton Marques Carneiro indeferiu a solicitação de habeas corpus com pedido de liminar a favor de Hélio Gueiros Neto. A defesa alegou que o cliente não teve resguardado o seu direito de resposta em depoimento.

Em fevereiro de 2019, o desembargador Raimundo Holanda Reis indeferiu outro pedido de habeas corpus a favor de Neto. A defesa pedia nulidade do interrogatório realizado no dia 14 de dezembro de 2018, três dias antes do prazo final deliberado pela juíza titular Vânia Fortes Bitar. Na decisão, o desembargador entendeu que a defesa não indicou de que forma Neto foi prejudicado e também não conseguiu provar o modo que a renovação do interrogatório poderia beneficiá-lo.

 

 

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