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Conselho de Engenharia e Secretaria de Transportes apontam falhas no projeto de ponte que caiu no Pará

Falta de proteção na base dos pilares e forma como ponte foi estruturada são questionadas pelos engenheiros. Ministério Público do Estado cobra responsabilidades sobre as condições da estrutura.

 
 -   / - G1  / FolhaPA
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Engenheiros ligados ao Conselho Regional de Engenharia (Crea-PA) e da Secretaria de Transporte do Pará (SETRAN) vistoriaram a terceira ponte da Alça Viária que caiu sob o Rio Moju, no Pará, no último sábado (6). Os especialistas apontam falhas no projeto desde a falta de proteção sobre a base da ponte até erros na escolha de como construir os pilares da estrutura.

Os primeiros problemas nos pilares da ponte da terceira Alça Viária foram detectados no início de 2019 em uma vistoria realizada pelo Crea-PA no local. Uma das preocupações já era a falta de proteção na estrutura que estava desgastada após sucessivas colisões.

No último sábado (6), um trecho de 200 metros da ponte que possuía mais de 860 metros de cumprimento e 23 metros de altura, caiu após uma balsa colidir contra um dos pilares da estrutura.

O presidente do Crea-PA, Renato Milhomem, diz que na época da vistoria não havia sido detectada a presença de uma “defensa” (proteção) adequada no projeto original da obra. “Foi feita uma defensa metálica flutuante ineficaz, tanto que elas estão lá nas margens colocadas, amassadas e não foram suficientes”, avalia.

A vistoria também apontava a necessidade de sinalização e da realização de manutenção na ponte. “Isso começou a ser feito em fevereiro, mas não deu tempo de concluir os serviços e evitar esse dano maior, essa catástrofe”, conta Renato Milhomem.

Para o engenheiro, escolhas sobre a obra como a melhor forma de ancorá-la e lidar com o canal de navegação foram insuficientes. “O canal de navegação é insuficiente com 88 metros. A melhor agora seria uma ponte estaiada. E foram apresentados dois planos. O primeiro com um pilar central próximo às margens danificadas, de 268 metros, com um vão de 250 metros. Essa solução seria mais cara e tecnicamente demandaria mais tempo".

A segunda opção, de acordo com o presidente do Crea-PA, envolveria um pilar central. "Outra opção era fazer um pilar central no meio do vão danificado, sobrando, então, 130 metros para cada lado. É uma solução mais cara que a original, mas que sai mais barata a longo tempo, pois se pagaria na manutenção e também minimizaria que estes tipos de choques porque teria um canal mais largo".

Pilares restantes da ponte estão condenados

Pádua Andrade, titular da Secretaria Executiva de Transportes do Pará (Setran) afirma que já foram avaliados os danos no local do acidente. "Já fizemos um diagnóstico prévio e apenas o bloco 8, onde a balsa ainda está por cima não conseguimos contato visual. Mas os demais estão condenados tecnicamente. De forma que não há como utilizar esta estrutura".

Ele afirma ainda que é preciso analisar as colisões contra a ponte, que estava desgastada, o que teria facilitado a queda.

Em relação à sinalização, o secretário do Pará afirma que o local estava com barreiras de contenção e boias, além de LEDs que sinalizavam a área, mas "tudo foi levado pela balsa no acidente".

O Governo do Estado afirma ainda que mais de 14 placas foram colocadas no caminho até a ponte alertando sobre a interdição da via e indicando o melhor caminho para os motoristas seguirem até seus destinos.

Investigações

Ministério Público cobra inquérito para apurar causas do acidente na Alça Viária

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O Procurador Geral de Justiça do Pará, Gilberto Martins, reforçou que um grupo de atuação formado por promotores das cidades de Moju, Barcarena, Igarapé-Miri, Baião e Abaetetuba, locais afetados pela queda da ponte e que vão atuar na apuração do caso.

Ele reforça que até o momento "não foram identificadas qualquer vítima do acidente ou a suposta queda do veículo. Mas a Defesa Civil, Marinha e Corpo de Bombeiros continuam no local e realizam buscas".

O Procurador Geral insiste que estar navegando sem autorização foi, no mínimo uma imprudência dos tripulantes da balsa e reforça que a falta de proteção para a base dos pilares da ponte precisa ser verificada pela Justiça.

"É obrigatório para qualquer edificação desta natureza [as peças de proteção]. Tivemos informações de que o Ministério Público Federal (MPF) teria feito a recomendação. [...] A informação é que as 'defensas' já estavam destruídas pela quantidade de impacto. Mas se eram área de proteção que estavam degradadas ou destruídas, deveriam ter sido refeitas...", questiona Gilberto Martins.

Entenda

De acordo com a Capitania dos Portos, a embarcação colidiu com um dos pilares de sustentação da ponte e causou o desabamento de cerca de 200 metros da estrutura, que possuía 860 metros de comprimento e 23 de altura. Com a batida, quatro pilares caíram. A Capitania interditou a área de navegação sob a ponte Moju-Alça, por apresentar riscos à navegação.

A ponte está localizada no quilômetro 48 da rodovia estadual PA-483 e liga a Região Metropolitana de Belém ao Nordeste do Estado do Pará.

O que se sabe até agora

  • Uma balsa que transportava rejeitos de dendê colidiu contra um dos pilares de sustentação da ponte na madrugada de sábado (6)
  • Testemunhas dizem ter visto dois carros caírem no rio; bombeiros fazem buscas
  • Inquérito é aberto e desabamento é investigado pelo MPPA
  • Balsa, que provocou desabamento, estava irregular, segundo informações da Capitania dos Portos
  • Tripulação da balsa presta depoimento, conteúdo não é divulgado
  • Governo anuncia medidas emergenciais para diminuir impactos do acidente

Mapa mostra ponto em que parte de ponte caiu — Foto: Juliane Souza Mapa mostra ponto em que parte de ponte caiu — Foto: Juliane Souza

Mapa mostra ponto em que parte de ponte caiu — Foto: Juliane Souza

PONTE CAI NO PARÁ

  • Ponte cai sobre o rio Moju

  • MP, Polícia e Capitania apuram queda de ponte

  • Corpo de Bombeiros busca desaparecidos

  • Balsa que provocou queda de ponte no Pará estava irregular e não poderia estar navegando

  • Polícia ouve tripulação de balsa

  • Pessoas gritaram 'socorro', diz testemunha

  • Corpo de Bombeiros retoma buscas no domingo

  • Medidas emergenciais

  • 2º dia de buscas é encerrado sem encontrar vítimas

  • Buscas são retomadas na segunda

  • Procura por balsas aumenta após queda de ponte no Pará

 

 

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