Variedades

Variedades

Fechar
PUBLICIDADE

Variedades

Lambada volta ao pop com sucesso nos '''paredões''' e bênção de divas

Lambasaia faz 30 shows por mês com hit Viajo nela ; Ivete, Claudia Leitte e Pabllo Vittar entram no ritmo. Ex-Kaoma diz que gênero pode funcionar , mas não como nos anos 90.

 
 -   head  meta charset 'utf-8 link rel 'preconnect' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'dns-prefetch' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'prec
head meta charset 'utf-8 link rel 'preconnect' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'dns-prefetch' href 'https://cocoon.globo.com link rel 'prec

No ritmo da lambada, o corpo de quem está sozinho automaticamente chama um outro para dançar.

Isso é o que Léo Dumóve, vocalista do grupo Lambasaia e autointitulado “o cafajeste da lambada”, descreve como a “magia” do gênero: a capacidade de unir até completos desconhecidos. "É uma melodia que você não se vê dançando sozinho", explica.

Saiba mais sobre a origem da lambada no VÍDEO acima.

Essa magia andava esquecida. A febre planetária do grupo Kaoma (aquele de "Chorando se foi...") nos anos 1990 tornou o ritmo tão popular naquela época que o desgaste foi inevitável.

A lambada adormecia na nostalgia até pouco tempo atrás, quando passou a dar sinais de vida na música pop, na esteira de um "revival" noventista na cultura.

Léo Dumóve é vocalista do Lambasaia, da música 'Viajo nela'; ele diz que seu estilo - camisa floral e chapéu - tem sido copiado após sucesso — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia Léo Dumóve é vocalista do Lambasaia, da música 'Viajo nela'; ele diz que seu estilo - camisa floral e chapéu - tem sido copiado após sucesso — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia

Léo Dumóve é vocalista do Lambasaia, da música 'Viajo nela'; ele diz que seu estilo - camisa floral e chapéu - tem sido copiado após sucesso — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia

Viajo nela

O sucesso repentino da banda liderada por Léo é um deles. Criada no início dos anos 2000 em Feira de Santana (BA), a Lambasaia entrou em hiato na fase de decadência do gênero. Voltou em 2018 com o novo vocalista e o que ele chama de uma "proposta ousada": lançar um disco com músicas autorais e covers, todos em lambada.

O cantor lembra:

"Ninguém acreditava que ia dar certo. Recebemos várias críticas, diziam: 'A lambada está morta'."

O disco foi lançado em maio do ano passado, mas só explodiu em novembro, quando a banda conseguiu emplacar "Viajo nela". A música sobre a paixão por uma garota de programa tem quase 2 milhões de audições no YouTube e entrou no repertório de Wesley Safadão.

Léo Dumóve no clipe de 'Viajo nela' — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia Léo Dumóve no clipe de 'Viajo nela' — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia

Léo Dumóve no clipe de 'Viajo nela' — Foto: Reprodução/Facebook/Lambasaia

Há uma versão proibidona e uma "light", ambas marcadas pela voz grave do vocalista, à lá Mr. Catra. A primeira fez sucesso antes, virou um dos hits do carnaval e dos chamados "paredões" (festas de rua com equipamentos potentes de som) do Nordeste.

O grupo faz cerca de 28 shows por mês e tem apresentações marcadas até junho, segundo Léo. "Não imaginamos todo esse sucesso. Pensamos que íamos chegar aos interiores, íamos fazer uns shows, ganhar um dinheirinho. Mas o que aconteceu foi muito maior", diz.

O cantor critica as bandas "lamba não sei o quê", que surgiram depois, tentando copiar seu estilo musical e de se vestir - ele considera suas marcas o chapéu e as camisas florais, que sempre usa no palco.

Corpo molinho

Não muito longe de Feira de Santana, Ivete Sangalo deu sua bênção ao retorno do gênero ao lançar "Lambada (Corpo molinho)", em uma parceria inédita e emblemática com Claudia Leitte - as duas já foram alvo de boatos sobre rivalidade.

Radamés Venâncio, produtor da música, conta que ela apareceu de última hora no EP "Carnaval com Ivete", trabalho mais recente da cantora, gravado ao vivo. Para compor o som, ele misturou referências do Kaoma - já regravado por Ivete - com percussão baiana e timbres do pop.

O produtor avalia:

"A lambada vai e volta, e sempre vai estar na nossa música. Quando aparecem canções que fazem sucesso no 'povão', ela se renova."

Ele diz ter sido "coincidência" Ivete gravar uma lambada ao mesmo tempo em que o Lambasaia faz sucesso no Nordeste, mas acredita que, se mais artistas aderirem à onda, o movimento pode crescer.

Pabllo Vittar também já entrou no ritmo. Seu último disco, "Não para não", está cheio de referências de lambada, parte delas em "Seu crime", uma das músicas de trabalho mais recentes.

"Esse disco foi muito pensando em cima do que Pabllo cresceu ouvindo, então tentamos trazer de maneiras novas essas referências do Norte e Nordeste", explica o produtor Rodrigo Gorky. Com isso, entraram influências que dialogam diretamente com a lambada, como a banda paraense Companhia do Calypso (não confundir com a extinta Calypso, de Joelma).

Chorando se foi

Antes de se desenvolver em Porto Seguro, na Bahia, e chamar a atenção do mundo, a lambada surgiu a partir de ritmos como o carimbó e a guitarrada, do Norte do Brasil. Também ganhou influência da cúmbia e do merengue latinos e do zouk caribenho.

O auge veio quando empresários franceses investiram no ritmo para criar o Kaoma. Em 1989, o grupo lançou o icônico vídeo de "Lambada", com a versão mais conhecida da música boliviana "Llorando se fue", um hino do gênero.

A banda Kaoma, que popularizou o hit 'Lambada' (ou 'Chorando se foi') — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma A banda Kaoma, que popularizou o hit 'Lambada' (ou 'Chorando se foi') — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma

A banda Kaoma, que popularizou o hit 'Lambada' (ou 'Chorando se foi') — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma

Uma das personagens do clipe é Monica Nogueira, integrante do grupo desde sua fundação. Ela lembra que, naquela época, viajou o mundo em turnê - o Kaoma vendeu 25 milhões de discos em mais de 80 países. A banda era sempre recebida de limusine.

"Eu tinha 20 e poucos anos e foi um sucesso muito repentino, difícil de lidar, mas muito agradável de viver. As condições de trabalho eram ótimas, ganhávamos muito bem. Era só alegria."

"[Naquele período] o mundo estava precisando de algo alegre, um momento solar. Na Europa estava forte o new wave [gênero derivado do punk rock] e havia as mudanças políticas: a queda do Muro de Berlim, o fim do Apartheid... Nesse sentido, a lambada foi um movimento social", acrescenta.

Se agora as condições são favoráveis a um fenômeno parecido? Ela não acredita. "Acho que pode funcionar, mas não como antes. A maior parte das pessoas que estão fazendo trabalhos ligados à lambada já tem um sucesso consolidado", opina. "Mas acho que isso pode deixar o público mais aberto a escutar."

A cantora Loalwa Braz, vocalista do grupo Kaoma — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma A cantora Loalwa Braz, vocalista do grupo Kaoma — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma

A cantora Loalwa Braz, vocalista do grupo Kaoma — Foto: Reprodução/Facebook/Kaoma

Vivendo na França há 30 anos, Monica diz que o gênero ainda é amado na Europa e que a fase no Kaoma é motivo de orgulho e passagem relevante de sua carreira musical por lá. Apesar disso, não pensa em voltar a cantar lambada - hoje ela se dedica a uma produção mais eletrônica.

O único plano de reviver o passado é em uma homenagem a Loalwa Braz, amiga e ex-parceira de banda, assassinada em Saquarema, no Rio, em 2017. "Fiquei muito abalada, e até hoje procuro uma maneira de homenageá-la. Não vou deixar esse projeto do lado. Quero, com isso, trazer de volta as boas lembranças do Kaoma."

 

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE