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Jerry Smith vai unir o Brasil? O imigrante baiano em SP que conquistou o funk, arrocha, sertanejo, forró...

Como ele encontrou sua voz além do funk de SP ao incorporar raiz nordestina e fazer duetos de Norte a Sul. G1 explica e mostra volta pelo país em parcerias que somam 1 bilhão de views.

 

Jerry Smith está em todos os cantos. O nome ainda é mais conhecido no funk de SP, onde estourou primeiro, mas sua voz grave se espalha cada vez mais. Do rico e profissional mercado sertanejo de Goiás ao vibrante e improvisado brega-funk de Pernambuco, lá está Jerry e seu bordão: "É o pique".

O vídeo acima dá uma volta pelas 5 regiões do Brasil em 12 parcerias de Jerry que já somam 1 bilhão de visualizações no YouTube. No vídeo e no texto abaixo, conheça a história do baiano em SP que encontrou uma voz capaz de circular como poucas pelo pop brasileiro.

Três figuras importantes nesta expansão de Jerry ajudam a contar a história no texto: Mano DJ, produtor de funk de SP, Jenner Melo, compositor de hits do sertanejo atual e Márcia Ribeiro, gerente de turnês pelo Brasil. Todos viram potencial e acertaram, até agora, a aposta nele.

Jerry Smith conta sua história

Jerry Smith conta sua história

  • Jerry nasceu em Una, pequena cidade no sul da Bahia, foi criado na vizinha Canavieiras, e foi com a mãe aos 8 anos para SP.
  • Tentou ser jogador de futebol e fazia bico de cabeleireiro quando estourou com o amigo Zaac, em 2016, o hit "Bumbum granada".
  • Fazia até 7 shows por noite com o hit do "taca taca" em SP, mas no fim do ano a dupla se separou amigavelmente.
  • Seguiu solo e, em maio de 2017, emplacou "Pode se soltar", que uniu a levada do arrocha ao funk de SP.
  • 6 meses depois, foi chamado por Munhoz & Mariano para gravar "Mulherão da porra" em Goiás. O sucesso o tornou requisitado no sertanejo e outros mercados.
  • As parcerias somam 1 bilhão de views. "Quem me dera", com Márcia Felipe, e "Não fala não pra mim", com Humberto e Ronaldo, estão há meses entre as mais tocadas do país.
  • Ele não largou o funk nem as faixas solo - fora as 12 parcerias, os outros clipes somam outro 1 bilhão de views.
  • Agora ele tenta entrar no circuito de grandes shows pelo Brasil.

"Eu sou de família nordestina, da Bahia, e lá a gente sempre escutou essas coisas arrochadas, com suingue. Como estava na veia, acabou passando para as coisas que eu fazia. Bagagem, subconsciente, acaba sendo meu, né?", diz Jerry.

Jerry Smith ganhou o país em 12 parcerias com artistas das 5 regiões e de diversos estilos — Foto: Fernanda Garrafiel/Editoria de Arte/G1 Jerry Smith ganhou o país em 12 parcerias com artistas das 5 regiões e de diversos estilos — Foto: Fernanda Garrafiel/Editoria de Arte/G1

Jerry Smith ganhou o país em 12 parcerias com artistas das 5 regiões e de diversos estilos — Foto: Fernanda Garrafiel/Editoria de Arte/G1

Mágoa no futebol e gol de 'bumbum'

Rodrigo Silva dos Santos, 24 anos, achava seu nome muito comum para alguém que "sempre quis ser conhecido". O nome artístico, Jerry, vem do ratinho do desenho animado mesmo. O sobrenome, Smith, é do seriado do qual era fã, "Um maluco no pedaço", de Will Smith.

Em 2016, o G1 seguiu uma maratona de shows de Zaac e Jerry no auge de "Bumbum granada". Foi o primeiro contato com o persistente Jerry, que trabalhava duro e tinha uma mágoa: quase ter virado jogador de futebol profissional.

Ele jogou no sub-16 do São Caetano e depois foi para o clube Águias. Diz se destacou em amistoso no Palmeiras e foi chamado para um teste.

"Fiz um golaço, um excelente jogo, gostaram de mim. Passou três dias, me machuquei (estiramento na coxa) e fiquei dois meses parado. O técnico que tinha gostado de mim saiu e não me quiseram mais. Fiquei sem querer nem ver jogo na TV. O bagulho era desejo de moleque", disse em 2016.

Aos 23 anos ele revê a história: "Hoje eu vejo que podia ter me dedicado um pouco mais ao futebol. O esforço como cantor agora é maior. Isso fez a diferença", compara.

Jerry chegou a estudar automação industrial, mas fazia dinheiro havia dois meses como cabeleireiro quando "Bumbum granada" pegou. Ele se jogou no novo sonho na música. A reportagem achava que a tal maratona era uma corrida para aproveitar a fama passageira.

Achou errado, G1. Depois do primeiro sucesso, Zaac fez vários outros hits, como "Vai embrazando" e "Vai malandra", com Anitta. Jerry também só cresceu, como se vê aqui.

Relembre abaixo a 'maratona 'Bumbum granada'' com 7 shows em uma noite em 2016:

VÍDEO DE 2016 - G1 acompanha MCs Zaac e Jerry

VÍDEO DE 2016 - G1 acompanha MCs Zaac e Jerry

Funk com toque de arrocha

A carreira solo começou bem, como "Na onda do beat", em fevereiro de 2017. Mas a faixa em que Jerry mostrou sua cara demoraria um pouco mais. Quem conta essa parte da história é o amigo Wanderson Cardoso de Oliveira, 26 anos, o Mano DJ, influente no mundo do funk paulista

"O Jerry foi ao meu estúdio e mostrou várias músicas, entre elas 'Pode se soltar', um arrocha. Eu falei: para tudo! P**a que pariu, isso vai estourar. Mas ele ficou em dúvida", conta Mano.

"Ele tinha uma data para gravar clipe com Kondzilla. Eu falei de novo: 'Grava esse arrocha, vai 'dar bom', sua voz é maneira, ficou muito dançante.' No fim ele concordou. Estou até no clipe [Mano é o cara que toca flauta no vídeo]."

O resultado acertou no alvo que Mano previu: "Teve 200 milhões de views, o Jerry começou a fazer shows no Nordeste, no Brasil todo, e as pessoas começaram a botar mais fé", diz o produtor.

A batida de funk "arrochado" gerou outro sucesso, "Troféu do ano", com MC Nando e DJ Kassula. Em "Vou falar pra tu", há quatro meses, Jerry seguiu na ponte Nordeste-SP: misturou funk com sanfona em clipe de "bailão junino".

Jerry Smith — Foto: Divulgação Jerry Smith — Foto: Divulgação

Jerry Smith — Foto: Divulgação

A ascensão do 'Jerry Feat'

Um detalhe que não entrou na reportagem em 2016 era o artista que Jerry escutava no fone de ouvido, na van entre um show e outro: Marília Mendonça, então revelação do sertanejo, que o resto da equipe ainda não conhecia e ele recomendava.

"Sempre escutei de tudo. Tem muito artista que o pessoal nem imagina que eu conheço, mas pesquiso muito. E sertanejo, mais ainda. Eu estava escutando muito na época", diz Jerry.

Ele estava pronto, então, quando foi chamado por Munhoz & Mariano, de "Camaro amarelo". Agora quem fala é Jenner Melo, 41 anos, pernambucano criado em Goiânia. Ele é influente no sertanejo: escreveu hits como "Regime fechado", de Simone & Simaria, e "Seu polícia", de Zé Neto e Cristiano.

"Estava produzindo uma música com Munhoz e Mariano e eles já imaginaram a voz do Jerry. Eu nem conhecia ele. Liguei para o pessoal do Kondzilla [dono do canal de funk] e eles passaram o contato. Ele aceitou na hora e no outro dia já foi para Goiânia".

Wesley Safadão e Jerry Smith no clipe de 'Quem tem o dom' — Foto: Divulgação Wesley Safadão e Jerry Smith no clipe de 'Quem tem o dom' — Foto: Divulgação

Wesley Safadão e Jerry Smith no clipe de 'Quem tem o dom' — Foto: Divulgação

"Depois disso, ele falou que queria ir ao meu estúdio para fazer mais coisas diferentes. Eu estava produzindo o Rob Nunes. O Rob estava em Curitiba, sem tradição no sertanejo, e essa parceria colocou ele no mercado da noite para o dia", diz Jenner. Jerry Smith começava a virar "Jerry Feat".

"O Jerry tem essência brasileira e mistura tudo. Chegou com esse balanço baiano, a batida de funk paulista. E nas músicas mais recentes ele mostra um lado melódico que me surpreendeu. É um dos artistas mais diferentes com quem trabalhei", comenta Jenner.

O trânsito passa pelo brega-funk pernambucano de MC Loma ("Não se apaixona") e o forró pop do Ceará. A parceria mais recente, com produção e composição de Jenner, é "Quem tem o dom", de Jerry e Wesley Safadão.

Um estranho em Caldas Novas

Jerry continua trabalhando duro, mas a correria é diferente de quando emendava shows de 15 a 20 minutos. "Desde que nos conhecemos ele já tinha o sonho de entrar no circuito das feiras e grandes shows, que hoje no Brasil é dominado pelo sertanejo", lembra Jenner.

"Recentemente, fui a um show dele em Anápolis (GO) para 11 mil pessoas, era Jerry e Marília Mendonça. Semana passada foi Cleber & Cauan, Gustavo Miotto e Jerry Smith."

Pode parecer tarefa fácil, dada a popularidade de suas músicas. Mas, mesmo muito ouvidos, os astros do funk de SP circulam em bailes funk e festas menores, menos profissionais e lucrativas que o grande circuito nacional de feiras e grandes eventos, dominado pelo sertanejo.

Jerry achou uma aliada em Márcia Ribeiro, 45 anos, produtora que já trabalhou com Simone & Simaria e Wesley Safadão. Ela se aproximou da Start Music, agência de funk que gerencia a carreira de Jerry Smith, de início para trabalhar com outros artistas, mas se interessou por ele.

"Rolou uma empatia. Fui viajar para conhecer o show dele, mas estava aquém do que eu achava. Senti no Jerry uma vontade de crescer. Então falei: vamos fazer esse trabalho. ", conta Márcia.

"Montei cenário, produção, estilista, equipe de estrada, dançarinas, passei o show de 20 minutos para 1 hora e 15. Há uma barreira para o funk no mercado, às vezes porque a entrega no palco não é bacana. Eu me preocupei com isso. A intenção era tirar do baile para fazer show", ela diz.

"A gente fez o Verão Sertanejo em Caldas Novas (GO). O Jerry foi o primeiro funkeiro a pisar naquele palco. Para a gente foi um orgulho. " O cartaz do evento, com a foto de divulgação de Jerry rodeada por sertanejos, mostra bem este momento da carreira dele.

Um estranho em Caldas Novas: Jerry Smith rodeado de sertanejos, entre Zezé di Camargo e Luciano e Eduardo Costa, no cartaz de evento que aconteceu em janeiro de 2019 — Foto: Divulgação Um estranho em Caldas Novas: Jerry Smith rodeado de sertanejos, entre Zezé di Camargo e Luciano e Eduardo Costa, no cartaz de evento que aconteceu em janeiro de 2019 — Foto: Divulgação

Um estranho em Caldas Novas: Jerry Smith rodeado de sertanejos, entre Zezé di Camargo e Luciano e Eduardo Costa, no cartaz de evento que aconteceu em janeiro de 2019 — Foto: Divulgação

"A gente quer que profissionalize não só pra ele, mas outros artistas do funk. Que o movimento seja fortalecido, respeitado em qualquer lugar. Potencial para isso tem. Todas as festas acabam pedindo", diz Márcia.

"Eu me vendo ali naquele evento grande, em um público que não é totalmente meu, é uma coisa de louco para a minha carreira", diz Jerry Smith.

 

 

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