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De Rafaat a Minotauro, entenda a guerra pelo tráfico na fronteira entre Brasil e Paraguai

PF afirma que ao menos 30 execuções na região de Ponta Porã MS e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, estariam relacionadas à disputas pelo tráfico de drogas.

 

A fronteira do Brasil com o Paraguai, em Ponta Porã, região sul de Mato Grosso do Sul, sempre foi marcada por execuções, tiroteios, tráfico de drogas e armas. O local é uma das principais portas de entrada de entorpecentes e armas de grosso calibre no país.

A característica violenta da região ganhou ares de guerra nos últimos anos com a disputa pelo controle do local entre facções criminosas. Junho de 2016 marca a intensificação desta guerra com a morte de Jorge Rafaat, conhecido como "Rei da Fronteira". O G1 traçou um panorama desta disputa que, só em 2018, vitimou 30 pessoas.

Jorge Rafaat

Jorge Rafaat, traficante morto no Paraguai — Foto: Reprodução/TV Globo Jorge Rafaat, traficante morto no Paraguai — Foto: Reprodução/TV Globo

Jorge Rafaat, traficante morto no Paraguai — Foto: Reprodução/TV Globo

Em 15 de junho de 2016, Rafaat caiu em uma emboscada em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil e que é vizinha de Ponta Porã. O traficante estava em uma caminhonete, quando foi surpreendido por um outro veículo que seguia à frente. Pela parte traseira, um homem atirou contra Rafaat usando uma metralhadora ponto 50. A caminhonete, mesmo blindada, não resistiu ao armamento de guerra. Rafaat morreu ainda no local. Uma câmera de segurança registrou toda a ação.

Imagens mostram momento em que traficante foi morto na fronteira

Imagens mostram momento em que traficante foi morto na fronteira

Após a execução de Rafaat, tanques de guerra do Exército Brasileiro foram para as ruas do município sul-mato-grossense. No mesmo dia, do lado paraguaio, a loja de pneus do traficante em Ponta Porã amanheceu queimada.

Loja de pneus amanheceu queimada, na fronteira com o Paraguai — Foto: Martim Andrada/ TV Morena Loja de pneus amanheceu queimada, na fronteira com o Paraguai — Foto: Martim Andrada/ TV Morena

Loja de pneus amanheceu queimada, na fronteira com o Paraguai — Foto: Martim Andrada/ TV Morena

Outro empreendimento de Rafaat foi atacado. A empresa de segurança dele foi metralhada e teve vidros e portas destruídas. No mesmo mês, dois suspeitos pela morte do traficante foram presos.

Em dezembro de 2018, um dos seguranças de Rafaat, Orlando da Silva Fernandes, de 41 anos, foi executado com tiros de fuzil, em Campo Grande. Os disparos atingiram principalmente a cabeça dele. A polícia encontrou pelo menos 40 cápsulas de bala no local do crime.

Jarvis Ximenes Pavão

Jarvis Pavão sendo extraditado para o Brasil — Foto: Rede Globo/Reprodução Jarvis Pavão sendo extraditado para o Brasil — Foto: Rede Globo/Reprodução

Jarvis Pavão sendo extraditado para o Brasil — Foto: Rede Globo/Reprodução

Mesmo preso, Jarvis Ximenes Pavão, conhecido como "senhor das drogas" passou a ser, segundo a polícia paraguaia, um dos suspeitos pela morte de Rafaat e um dos sucessores do tráfico na região.

Jarvis Pavão cumpria pena no país vizinho desde 2009, e também tinha sido condenado no Brasil a 17 anos de prisão por tráfico de drogas. Ele era apontado pela Justiça do Brasil como representante, na fronteira, de uma quadrilha paulista que atua dentro e fora dos presídios.

Em 2017, de acordo com as policias paraguaias e brasileiras, mais de 20 execuções foram registradas na região da fronteira. Um delas foi a do irmão de Jarvis, Rony Pavão, assassinado em março de 2017, com disparos de pistola 9 milímetros. Segundo as investigações, a morte foi resultado da guerra pelo controle da venda de drogas.

Em dezembro de 2017, Pavão foi extraditado para o Brasil para cumprir 17 anos e 8 meses no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, por tráfico e lavagem de dinheiro.

A advogada de Jarvis, a argentina Laura Marcela Casuso, de 54 anos, foi executada a tiros em novembro de 2018, em Pedro Juan Caballero. Segundo a polícia paraguaia, um homem atirou na mulher por várias vezes e depois fugiu em uma caminhonete preta.

No mês seguinte, um novo atentado. Homens armados com fuzis e metralhadoras AK-47 atiraram no veículo em que estavam 4 pessoas, entre elas, o sobrinho de Jarvis. Ele foi ferido e hospitalizado.

Caminhonete em que estava sobrinho de Jarvis Pavão foi atingida em Pedro Juan Caballero. — Foto: Ministério Público do Paraguai/Reprodução Caminhonete em que estava sobrinho de Jarvis Pavão foi atingida em Pedro Juan Caballero. — Foto: Ministério Público do Paraguai/Reprodução

Caminhonete em que estava sobrinho de Jarvis Pavão foi atingida em Pedro Juan Caballero. — Foto: Ministério Público do Paraguai/Reprodução

Em 2019, mais execuções. Gustavo Alvarenga Cardozo, de 46 anos, conhecido como "comandante" e um dos contadores de Pavão, foi executado no dia 9 do mês anterior, quando chegava em casa, em Pedro Juan Caballero. O empresário Chico Gimenez, tio do traficante, foi assassinado no imóvel dele, em Ponta Porã. Ele foi candidato a prefeito do município em 2016. Chico havia sido preso em 7 de dezembro de 2018, junto com um sobrinho de Jarvis, em reunião do crime organizado.

De acordo com a polícia, Chico estava com a esposa quando o um carro derrubou o portão da residência e homens armados desceram e atiraram. O empresário foi atingido no ombro e no braço. A mulher saiu ilesa.

A polícia suspeita que a reunião envolveria um possível atentado ao grupo rival, comandado por Minotauro. Segundo a polícia paraguaia, Minotauro pode ser o mandante da morte da advogada Laura Casuso, e do tio de Jarvis Pavão.

Minotauro

Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro, foi preso em Balneário Camboriú — Foto: Reprodução/ TV Globo Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro, foi preso em Balneário Camboriú — Foto: Reprodução/ TV Globo

Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro, foi preso em Balneário Camboriú — Foto: Reprodução/ TV Globo

O traficante Sérgio de Arruda Quintiliano Neto foi preso na segunda-feira (4) em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Conhecido como Minotauro, o traficante é ligado a uma facção criminosa de São Paulo.

Contra ele, havia dois mandados de prisão em aberto, um da Justiça de Mato Grosso do Sul e outro de São Paulo.

As investigações apontam que a facção do narcotraficante comandava os carregamentos de cocaína da Bolívia, que entravam no Brasil pela fronteira Sul de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. A polícia afirma que, com a chegada de Minotauro, a violência aumentou na região.

Entre os crimes atribuídos a ele estão os assassinatos de um policial civil, da advogada de Jarvis, e do primo de Jarvis, em janeiro deste ano. Conforme a Polícia Federal, o traficante preso teria envolvimento em um atentado no Paraguai em 2018. Os criminosos incendiaram três casas e uma loja de carros.

Carros encontrados queimados em distrito de Ponta Porã, MS — Foto: Mauro Almeida/ TV Morena Carros encontrados queimados em distrito de Ponta Porã, MS — Foto: Mauro Almeida/ TV Morena

Carros encontrados queimados em distrito de Ponta Porã, MS — Foto: Mauro Almeida/ TV Morena

A fronteira a partir de agora

A Polícia Federal informou nesta terça-feira (5) que vai continuar monitorando a fronteira e trabalhando em conjunto com as autoridades paraguaias. Disse ainda, que vai intensificar o trabalho para desarticular as facções.

"Não basta pegar os entorpecentes, pegar os transportadores, tem que pegar os líderes das organizações, retirar todos os bens destas organizações criminosas, para que elas não possam se rearticular e voltar a atuar", disse Cléo Mazzotti, superintendente da PF em Mato Grosso do Sul.

Já o Ministério Público Paraguaio afirmou nesta quarta-feira (6) que aumentou o monitoramento na fronteira e não descarta que uma nova "liderança" assuma o controle da região.

''Quando cai uma cabeça principal, sempre surge um segundo nome. E neste caso, não está claro quem seria esse segundo. Eu creio que , se não houver uma guerra dentro do próprio grupo de Minotauro, o segundo homem deve assumir o comando do grupo. Aí novamente, nós vamos seguir com as investigações pra estabelecer quem seria essa nova liderança desse grupo'', comentou Armando Canteira, promotor do Ministério Público.

Armas e outros objetos apreendidos quando Chico Gimenez foi preso  — Foto: Polícia Federal/Reprodução Armas e outros objetos apreendidos quando Chico Gimenez foi preso  — Foto: Polícia Federal/Reprodução

Armas e outros objetos apreendidos quando Chico Gimenez foi preso — Foto: Polícia Federal/Reprodução

 

 

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