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Venezuelanos protestam em frente ao Itamaraty contra governo de Nicolás Maduro

Presidente da Venezuela tomou posse nesta quinta-feira 10 para mais seis anos à frente do país. Nações das Américas e da Europa disseram que não reconhecerão o novo mandato.

 

Um grupo de cerca de 20 venezuelanos realizou uma manifestação contra o governo de Nicolás Maduro nesta quinta-feira (10) em frente ao Palácio do Itamaraty, em Brasília, sede do MInistério das Relações Exteriores. Os manifestantes pedem que o Brasil não reconheça o novo mandato de Maduro e pressione pela renúncia do chefe de Estado.

Maduro tomou posse nesta quinta para mais um mandato de seis anos à frente da Venezuela. Em maio de 2018, ele foi reeleito com quase 70% dos votos em uma disputa na qual parte da oposição não participou por considerar que não havia condições para uma disputa eleitoral justa. Observadores internacionais também foram impedidos de acompanhar o processo.

A Venezuela vive, nos últimos anos, uma forte crise política, econômica e social. O país vem sofrendo com falta de produtos básicos, como remédio e comida. Para fugir da crise, milhares de venezuelanos têm deixado o país.

Vários governos das Américas e da Europa - incluindo o Grupo de Lima, do qual faz parte o Brasil - advertiram que não reconhecerão o novo mandato de Maduro, que já é apontado por alguns como um regime ditatorial, sob o qual o país sul-americano entrou em sua pior crise econômica.

O Grupo de Lima foi criado em 2017 por iniciativa do governo peruano com o objetivo de pressionar para o restabelecimento da democracia na Venezuela. Além do Brasil e do Peru, mais 11 países integram o grupo – Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e México. Este último se recusou a assinar a declaração sobre o não reconhecimento do novo mandato de Maduro.

Venezuelanos em Brasília levaram faixas e cartazes para a frente da sede do Ministério das Relações Exteriores — Foto: Aline Ramos/G1 Venezuelanos em Brasília levaram faixas e cartazes para a frente da sede do Ministério das Relações Exteriores — Foto: Aline Ramos/G1

Venezuelanos em Brasília levaram faixas e cartazes para a frente da sede do Ministério das Relações Exteriores — Foto: Aline Ramos/G1

Protesto

Vestidos com camisetas brancas com os dizeres “Brasileiros na Venezuela” e “Democracia na Venezuela”, os manifestantes se concentraram na entrada lateral do Itamaraty. Empunhavam cartazes com mensagens como “Se Maduro ficar, a diáspora vai continuar”, “Maduro ilegítimo” e “S.O.S Venezuela”.

O grupo caminhou até a entrada lateral do edifício para entregar uma carta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O documento, entregue a um dos funcionário da Secretaria Geral do órgão, refere-se às eleições de maio como uma “fraude”.

Um trecho do comunicado classifica o governo de Maduro como uma “ditadura totalitária e atroz, violadora sistemática dos direitos humanos” e diz que o chefe de Estado associa-se “às piores quadrilha do crime do terrorismo internacional” .

“Nós venezuelanos vivemos em tempos conclusivos que não estão sujeitos a nenhuma interpretação. Se o regime decidir ficar além de 10 de janeiro, todos os mecanismos de pressão e força deve ser ativados para resgatar a democracia perdida. As instituições legítimas do país, a Assembleia Nacional e o Supremo Tribunal de Justiça que opera no exílio devem trabalhar em harmonia para fazer o que é devido”, afirmaram os manifestantes no documento.

Ao não reconhecer o governo de Maduro, os manifestantes entendem que há um vácuo de poder no Executivo e, por isso, cobram que a Assembleia Nacional do País (Poder Legislativo) nomeie um governo de transição e convoque novas eleições.

"Não há validade da Constituição ou qualquer referência ao estado de direito. Isso é insuportável para os cidadãos e um perigo crescente para o Hemisfério Ocidental”, diz um trecho da carta.

Manifestantes gritaram palavras de ordem em frente ao Palácio do Itamaraty

Manifestantes gritaram palavras de ordem em frente ao Palácio do Itamaraty

Pedido ao governo brasiliero

O grupo de manifestantes pediu ainda que o governo brasileiro faça uma “pressão ativa para que o regime liderado por Nicolás Maduro entregue o governo” e que aconselhe o alto comando militar das Forças Armadas Venezuelanas a “proteger a legitimidades das decisões tomadas pela Assembleia Nacional e do Tribunal Supremo de Justiça estabelecidos no exílio”.

“O nosso pedido como cidadãos é de que a comunidade internacional não deixe sozinhos as instituições legitimas das Venezuela que são a Assembleias nacional e o Tribunal Supremo de Justiça, que neste momento está funcionando no exílio”, disse o engenheiro industrial e líder do movimento Soy Venezuela no Brasil, Alberto Palombo.

Alberto Palombo, do movimento 'Soy Venezuela' no Brasil, estava no protesto contra Maduro.

Alberto Palombo, do movimento 'Soy Venezuela' no Brasil, estava no protesto contra Maduro.

Manifestações semelhantes como a realizada nesta tarde no Itamaraty estão sendo promovidas em todas as capitais dos países que compõem Grupo de Lima, segundo Palombo.

Daniel Mantilla, estudante da Universidade de Brasília, chegou ao Brasil há 4 anos, acompanhando os pais, que são pesquisadores.

Ele contou que metade dos familiares ficou na Venezuela e que os relatos são sobre delinquência, fome e muita repressão contra estudantes e manifestantes.

“Nas universidades sempre tem greves. mas para que não haja organizações contra o presidente, enfim, tem uma arquitetura para continuar o governo. Você simplesmente acompanha a destruição. Você consegue ver a morte, a fome, dói bastante porque parece que foi com você”, afirmou.

Segundo o Daniel, o grupo de venezuelanos em Brasília tem cerca de 50 participantes. Gabriela Alvarez é uma delas.

Formada em produção audiovisual, a venezuelana disse que atua como confeiteira atualmente. Veio para o Brasil há 10 anos com o marido.

Ela também apontou a falta de legitimidade de Maduro como chefe de Estado venezuelano e reconheceu que a eleição de Jair Bolsonaro vai endurecer o discurso do Brasil com o “regime ditatorial”. Entretanto, ela se disse preocupada com o que considera como falta de clareza do novo governo brasileiro em relação à onda migratória de venezuelanos que entram no país por Roraima.

“Essa imigração que está entrando por Roraima, a gente não sabe bem qual vai ser o olhar desse novo governo. A gente sabe que é totalmente oposto ao governo do Maduro", afirmou.

 

 

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