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Primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán defende bloco anti-imigração na União Europeia

Após visita do vice-primeiro-ministro italiano à Polônia, líder da Hungria prevê ampliação de uma coalizão de direita dentro da Europa como contraponto ao ''eixo franco-alemão''.

 

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ofereceu nesta quinta-feira (10) apoio integral à iniciativa ítalo-polonesa de formar uma aliança de direita para as eleições para o Parlamento Europeu marcadas para maio.

A meta de seu país seria obter no órgão legislativo uma maioria anti-imigração, que ele espera que se estenda à Comissão Europeia e mais tarde, com as eleições nacionais, mude o panorama político da União Europeia (UE).

Durante visita a Varsóvia na quarta-feira, o ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, afirmou que seu país e a Polônia uniriam forças numa aliança eurocética, e expressou esperanças de que um "eixo ítalo-polonês" venha a substituir o atual "eixo franco-alemão".

Segundo Orbán, a "aliança Varsóvia-Roma" seria "um dos maiores desdobramentos com que este ano poderia ter começado". Ele classificou Salvini de "herói" por deter a migração na costa italiana. O populista de direita criticou ainda o presidente da França, Emmanuel Macron, descrevendo-o como líder das políticas pró-imigração da Europa.

"Não é nada pessoal, mas uma questão do futuro de nossos países. Se o que [Macron] quer em relação à migração se materializar na Europa, isso seria mau para a Hungria, por isso tenho que lutar contra ele."

Soldados húngaros montam cerca de arame farpado para impedir passagem de imigrantes na fronteira com a Eslovênia, em foto de 2015 — Foto:  Jure Makovec/AFP Soldados húngaros montam cerca de arame farpado para impedir passagem de imigrantes na fronteira com a Eslovênia, em foto de 2015 — Foto:  Jure Makovec/AFP

Soldados húngaros montam cerca de arame farpado para impedir passagem de imigrantes na fronteira com a Eslovênia, em foto de 2015 — Foto: Jure Makovec/AFP

Orbán acrescentou que não vê qualquer chance de um consenso com a Alemanha, cujos políticos e imprensa supostamente o pressionariam demais para que admita migrantes. Ele previu que haverá duas civilizações no continente: uma "que constrói seu futuro sobre uma coexistência mista islâmica e cristã" e outra, na Europa Central, que será apenas cristã.

O populista de direita foi eleito para um terceiro mandato em abril, após uma campanha centrada em políticas anti-imigração e à medida que os eleitores europeus aceitam cada vez mais as agendas populistas.

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Embora Salvini tenha afirmado, na quarta-feira, que ele e o líder do partido nacional-conservador polonês Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, concordam na maioria dos temas, políticos de alto escalão da Polônia expressaram reservas quanto a formar uma aliança com o radical de direita italiano, considerado próximo demais da Rússia. O PiS é atualmente o partido com mais representantes no Parlamento polonês.

O ex-ministro do Exterior e deputado Witold Waszczykowski afirmou que "os únicos acertos feitos se referem a encontros e consultações futuros, mas não há arranjos para um acordo, uma criação antecipada de alianças ou clubes conjuntos no Parlamento Europeu".

Michal Szuldrzynski, comentarista do jornal "Rzeczpospolita", afirmou acreditar que durante a visita Salvini escutou mais sobre o que separa seu partido Liga do PiS do que sobre o que os une, e concluiu: "Kaczynski mostrou que não quer ser parte de uma aliança eurocética sob o patronato do Kremlin."

 

 

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