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ANÁLISE: Jovem expõe os abusos na Arábia Saudita, onde mulheres dependem de homens para viajar, estudar e se casar

Rahaf Mohammed al-Qunum fugiu da família e teme ser morta se for mandada de volta ao reino.

 
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Do quarto de um hotel no aeroporto de Bangcoc, na Tailândia, a jovem Rahaf Mohammed al-Qunun espelha ao mundo a realidade abusiva das mulheres na Arábia Saudita, lançando pelo Twitter um apelo desesperado para não ser mandada de volta ao país. A deportação, nas suas palavras, significa ser morta pela família, de quem fugiu para ter acesso a estudo e à liberdade na Austrália, além de renunciar à religião islâmica.

Enquanto atrai milhares de seguidores a seu drama, Rafah al-Qunum, com apenas 18 anos, montou barricada e pediu a presença da ONU no quarto. Obteve uma pequena vitória -- a de não ser enviada imediatamente a seu país, como ameaçavam inicialmente as autoridades tailandesas.

No último ano, as sauditas conseguiram avanços em seus direitos, mas ainda incipientes num país em que a mulher é considerada um menor permanente, precisa de um tutor do sexo masculino e autorização para viajar, se casar e trabalhar.

Até julho, o reino era o único país do mundo a proibir que elas dirigissem veículos. Neste fim de semana, outra decisão judicial determinou que um homem não pode obter o divórcio sem o conhecimento da esposa. A medida estipula que ela deve ser informada do fim do casamento por mensagem de texto.

Mulheres assistem a partida de futebol entre entre Al Ahli e Al Batin pela 17ª rodada do Campeonato Saudita no estádio Rei Abdullah, na cidade de Jeddah. Foi o 1º jogo a ter presença de mulheres nas arquibancadas, depois de autorização dada pelo governo no país com diversas leis estabelecidas pela fé islâmica — Foto: Stringer/AFP Mulheres assistem a partida de futebol entre entre Al Ahli e Al Batin pela 17ª rodada do Campeonato Saudita no estádio Rei Abdullah, na cidade de Jeddah. Foi o 1º jogo a ter presença de mulheres nas arquibancadas, depois de autorização dada pelo governo no país com diversas leis estabelecidas pela fé islâmica — Foto: Stringer/AFP

Mulheres assistem a partida de futebol entre entre Al Ahli e Al Batin pela 17ª rodada do Campeonato Saudita no estádio Rei Abdullah, na cidade de Jeddah. Foi o 1º jogo a ter presença de mulheres nas arquibancadas, depois de autorização dada pelo governo no país com diversas leis estabelecidas pela fé islâmica — Foto: Stringer/AFP

O relaxamento das restrições ao gênero feminino é reflexo das reformas introduzidas pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Sua meta de modernizar a economia até 2030 implica também na abertura da sociedade e, consequentemente, da presença de mulheres no mercado de trabalho.

O panorama atual, contudo, é incoerente à retórica da monarquia. A realidade mostra ativistas encarceradas e silenciadas, de acordo com entidades de direitos humanos. Pioneira do ativismo on-line e autora do saudiwoman.me, a blogueira Eman al-Nafjan está presa desde maio passado, com outras dez mulheres. Há informes de que o grupo tem sido submetido a torturas e ameaças de morte.

O assassinato do jornalista Jamal Khaggoshi, há três meses, dentro do consulado saudita em Istambul, não deixou dúvidas da prática de táticas brutais para reprimir dissidentes do regime. Fez cair por terra a imagem reformista do príncipe herdeiro. E o drama pessoal da jovem Rafah, que teme ser morta ao voltar ao país revela a extensão de um Estado autoritário na vida familiar.

 

 

 

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