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Parlamentares alemães se opõem ao financiamento público do diagnóstico de síndrome de Down temendo crescimento de abortos

Ministros e deputados usam argumentos éticos para se opor à política do sistema público de saúde.

 

Mais de cem deputados e ministros da Alemanha lançaram nesta sexta-feira (12) uma iniciativa para impedir o reembolso sistemático de um teste de sangue permitindo o diagnóstico pré-natal da síndrome de Down, temendo um crescimento no número de abortos

Os parlamentares usam argumentos “éticos” para se opor à política do sistema público de saúde que estuda financiar os exames sanguíneos, que hoje chegam a custar 300 euros (R$ 1,3 milhão), para diagnosticar a trissomia 21, mais conhecida como síndrome de Down.

“Cada vida humana vale a pena de ser vivida. Todo ser humano tem o direito natural de ser amado e acolhido”, disse o deputado conservador Rudolf Henke. “Os avanços realizados nos diagnósticos genéticos nos força a questionar a forma como nós tratamos os dados revelados”, completou.

A iniciativa parlamentar colheu apoio de todas as correntes políticas, com a exceção da extrema direita. Até mesmo a representante do grupo parlamentar do partido Verde, Katrin Goring-Eckardt, se juntou ao movimento, assim como as ministras conservadoras da Cultura, Monika Grutters e da Educação, Anja Karliczek e um deputado próxima a Angela Merkel, Volker Kauder.

Pressão social será maior em pais que não optarem pelo teste

Todos clamam por um esforço de “informar melhor” os futuros pais sobre síndrome de Down.

“O que fazer para combater os preconceitos contra as pessoas deficientes? ”, questiona o grupo. “Nós pensamos que se exames desse tipo se tornarem uma norma, cada vez mais pais irão escolhê-los. Com isso, haverá uma pressão social cada vez maior sobre os casais que não optarem pelo diagnóstico e acabarem dando nascimento a uma criança com síndrome de Down”, completa o comunicado.

A trissomia 21 ou síndrome de Down é uma anomalia cromossômica que está geralmente associada com atraso no desenvolvimento infantil, feições faciais características e deficiência mental leve a moderada. Seu diagnóstico passa primeiro por uma ultrassonografia no início da gestação, e caso necessário, é feita uma amniocentese, um procedimento que apresenta um certo risco para a grávida.

Desde 2008, um simples exame de sangue está disponível para diagnosticar não só a síndrome de Down, como também a trissomia 13 e 18, duas formas mais raras. Mais de três milhões de mulheres gravidas fazem o teste, mas seu preço continua sendo uma barreira.

 

 

 

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