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ONU e União Europeia pedem à Venezuela investigação sobre morte de opositor

Fernando Albán supostamente esteve envolvido na tentativa de atentado com drones contra o presidente Nicolás Maduro, que ocorreu há pouco mais de dois meses. MP venezuelano diz que ele se jogou do 10º andar de prédio do serviço de inteligência.

 
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O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e a União Europeia pediram nesta terça-feira (9) uma investigação sobre as circunstâncias da morte do vereador opositor venezuelano Fernando Albán Salazar, que, segundo as autoridades da Venezuela, se atirou do prédio do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

O vereador da cidade de Libertador, do partido de oposição Primero Justicia, estava preso e, segundo o governo venezuelano, esteve envolvido na tentativa de atentado com drones contra o presidente Nicolás Maduro, que ocorreu há pouco mais de dois meses.

"Fernando Albán se encontrava detido pelo Estado. O Estado tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal (...). Nós pedimos uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias de sua morte", já que existem "informações contraditórias sobre o ocorrido", declarou um porta-voz do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, em coletiva de imprensa em Genebra.

A União Europeia também ressaltou nesta terça a necessidade de uma "investigação independente" para apurar as circunstâncias do vereador.

"Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán", afirmou o comunicado do escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também pediu que Caracas liberte "todos os presos políticos".

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz

Na segunda, o Ministério Público venezuelano afirmou que Salazar se atirou do décimo andar do prédio da Sebin em Caracas, quando seria transferido para um tribunal.

A versão oficial é que Albán estava numa sala de espera quando pediu para ir ao banheiro, e de lá se jogou pela janela. Já o seu partido afirma que Albán "morreu assassinado nas mãos do regime de Nicolás Maduro".

Reações

Nicolás Maduro classificou os fatos de 4 de agosto de "magnicídio frustrado" e responsabilizou como autor intelectual o deputado Julio Borges, fundador do Primero Justicia e exilado na Colômbia.

"A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán", reagiu Borges no Twitter, lembrando que o vereador havia viajado a Nova York na semana passada para visitar seus filhos e o acompanhou às Nações Unidas.

"Sua morte não vai ficar impune", acrescentou o deputado, que Maduro acusa de fazer parte de uma trama para derrubá-lo com a ajuda de Estados Unidos e Colômbia.

O presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, Bob Corker, em visita em Caracas, disse que a morte de Albán é "pertubadora".

"O governo tem a responsabilidade de garantir que todos entendam como isso aconteceu", escreveu no Twitter

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, condenou a morte do opositor. "Responsabilidade direta de um regime torturador e homicida", escreveu no Twitter.

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles, membro do partido de Albán, afirmou que o ocorrido "é total responsabilidade do regime". "Ele NUNCA poderia ter atuado contra sua vida", ressaltou no Twitter.

 

 

 

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