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Jovem indígena tem couro cabeludo arrancado por eixo de embarcação em viagem no Pará

A vítima de 17 anos foi socorrida de helicóptero para o hospital em Santarém. Esse Primeiro acidente de escalpelamento é registrado depois de 5 anos no oeste do estado.

 
 -  Vítima sendo levada para o hospital de Santarém, no Pará  Foto: Geovane Brito/G1
Vítima sendo levada para o hospital de Santarém, no Pará Foto: Geovane Brito/G1

Uma jovem indígena de 17 anos é a primeira vítima de escalpelamento registrado depois de 5 anos no oeste do Pará. O acidente aconteceu no fim da tarde de domingo (9), na região de Cachoeira do Aruã, no rio Arapiuns, a 100 km de Santarém.

A vítima, Adriana Fernandes do Santos, teve 85% do couro cabeludo arrancado e segundo apurou o G1, o estado de saúde dela é gravíssimo. Ela foi socorrida de helicóptero da região do acidente para o Pronto Socorro de Santarém nesta segunda.

A mãe da jovem, Marcilene Fernades, contou que o acidente foi rápido. Ela seguia com a filha em uma bajara, uma embarcação parecida com uma canoa. Ainda muito abalada com a tragédia, ela falou como aconteceu o acidente.

“A gente ia viajando de um sítio que a gente tem para chegar a escola dela e quando ela foi pentear o cabelo e tropeçou numa tábua da bajara e caiu. Tava no meio do rio. Eu tentei e consegui parar a bajara, já era tarde demais”, disse.

Após o acidente, a menina desmaiou. Depois a mãe buscou ajuda na comunidade onde a família mora. Em seguida, se deslocaram até a comunidade Cachoeira do Aruã, onde conseguiram a transferência. A dificuldade no transporte motivou a demora no socorro.

Segundo a Capitania Fluvial, o último caso de escalpelamento registrado no oeste do estado foi em 2012, em Oriximiná. O maior desafio é mudar o hábito de muitos ribeirinhos da Amazônia, que ainda vivem a chamada “cultura do risco”. A Capitania de Santarém vai apurar o acidente.

Escalpelamento

O escalpelamento é um acidente mais comum no Norte, sendo provocado pelo eixo do motor das pequenas embarcações. Por conta da falta de proteção, as vítimas, em sua maioria mulheres, ao se aproximarem do motor, têm os cabelos puxados.

A forte rotação enrola os cabelos em torno do eixo e chega a arrancar parte ou totalmente o coro cabeludo. Em alguns casos, as vítimas sofrem danos graves e chegam a perder as orelhas e a pele do rosto, causando deformações e até a morte.

 

 

 

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