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Suécia vive incerteza após eleições legislativas

Coalização de esquerda e aliança de direita não têm maioria para governar. Extrema-direita avançou menos que o esperado.

 
 -  Stefan Lofven, do Social Democratas; Ulf Kristersson, líder dos Moderados e Jimmie Akesson, dos Democratas da Suécia.  Foto: Jonathan NACKSTRAND, Lud
Stefan Lofven, do Social Democratas; Ulf Kristersson, líder dos Moderados e Jimmie Akesson, dos Democratas da Suécia. Foto: Jonathan NACKSTRAND, Lud

A Suécia entrou nesta segunda-feira (10) em um período de incerteza depois das eleições legislativas que confirmaram o avanço da extrema-direita e deixaram dúvidas sobre quem venceu, quem vai governar e ao lado de quem.

Geralmente, o líder do partido que recebeu mais votos ou que tem mais possibilidades de formar um governo assume o posto de primeiro-ministro.

Mas o tabuleiro político sueco cada vez mais fragmentado complica todos os cálculos. Nenhum dos dois blocos que dominam o cenário político obteve maioria e a extrema-direita voltou a crescer, embora menos do que antecipavam as pesquisas.

O partido de extrema-direita Democratas da Suécia cresceu menos do que os 20% esperados, mas obteve sua maior votação da história e se firmou como o terceiro maior partido da Suécia. Terá 62 cadeiras no parlamento, de acordo com as pesquisas divulgadas.

O resultado oficial da eleição só será divulgado na quarta-feira (12), já que os votos de suecos que vivem no exterior ainda estão sendo contabilizados. Até lá, os partidos costuram alianças que garantam uma maioria para governar.

Nem a Aliança de centro-direita - composta pelos Moderados, o Partido do Centro, o Partido Liberal e os Democratas Cristãos - nem uma coalizão de centro-esquerda - Social Democratas, Verdes e Partido de Esquerda - tem mandato para governar. A aliança de centro-direita tem 143 assentos no parlamento sueco versus 144 da coalização de centro-esquerda.

Os social-democratas, do atual primeiro-ministro, perderam 2,8% em comparação a 2014 e registraram seu pior resultado em mais de um século. "Somos o primeiro partido da Suécia", celebrou, no entanto, o primeiro-ministro Stefan Löfven, antes de reconhecer publicamente a situação de seu partido e de estender a mão à oposição.

"Esta eleição deve marcar o enterro da política de blocos. Ninguém obteve maioria. É, portanto, natural estabelecer uma colaboração entre os blocos", declarou.

Sem a maioria no parlamento, Löfven já enfrenta pedidos de renúncia. "Acabou o tempo para este governo. Deve renunciar", afirmou Ulf Kristersson, líder dos Moderados (conservadores).

Stefan Löfven pode tentar repetir o que fez em 2014: formar um governo minoritário com o Partido Verde e obter o apoio do Partido de Esquerda (ex-comunistas) no Parlamento.

Neste caso, estaria permanentemente sob a ameaça da oposição, que poderia impedir atos do Legislativo e derrubar o governo na primeira oportunidade com os votos da extrema-direita.

Também poderia apostar na abertura e convidar os liberais e centristas à mesa de negociações, mas continuaria sendo um governo minoritário. Tudo será definido pelo equilíbrio de forças final.

"Embora o bloco esquerda-verde seja o mais importante, o centro e os liberais têm a chave e não mais Jimmie Åkesson, o líder da extrema-direita", afirmou Mikael Gilliam, professor de Ciências Políticas da Universidade de Gotemburgo.

Mas no momento tudo não passa de especulação, pois os liberais e os centristas integram a aliança de centro-direita, com os conservadores e os democrata-cristãos.

Jornais suecos destacam incerteza política após eleições legislativas (Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP) Jornais suecos destacam incerteza política após eleições legislativas (Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP)

Jornais suecos destacam incerteza política após eleições legislativas (Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP)

A direita em posição delicada

O objetivo da aliança de direita é formar um governo como aconteceu entre 2006 e 2014, liderado desta vez pelo conservador Ulf Kristersson. Mas a questão é difícil, já que precisam dos votos da extrema-direita e isto não seria obtido a troco de nada.

"Temos 62 cadeiras, isto quer dizer que não podemos obter tudo o que queremos, mas espero uma influência proporcional ao nosso tamanho", disse Åkesson, líder do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD).

Ele disse que estava interessado em cooperar com outras partes e queria contar a Ulf Kristersson, o líder do segundo maior partido, o Moderados, "como governar o país".

No entanto, Kristersson, o chefe dos moderados que fazem parte da aliança de quatro partidos, deixou claro que ele não iria trabalhar com o SD.

"Fomos muito claros durante toda a eleição. A Aliança não irá governar ou discutir como formar um governo com os Democratas da Suécia (SD)"- Ulf Kristersson, líder da direita

Kristersson privilegia compromissos com os social-democratas, como aconteceu nos últimos quatro anos com a assinatura de 26 acordos, sobre imigração, energia ou clima.

Se a derrota da centro-direita for confirmada, esta continuidade seria a solução menos ruim para ele, analisa David Ahlin, diretor de opinião do instituto Ipsos.

"Mas a situação é incerta. Apenas 30.000 votos separam os dois blocos (centro-esquerda e centro-direita) e na quarta-feira serão apurados os 200.000 votos de suecos do exterior", recorda.

"O mais provável é que a Aliança (Moderados, o Partido do Centro, o Partido Liberal e os Democratas Cristãos) se constitua em coalizão e tente obter um apoio do outro lado da linha dos blocos".

Jimmie Åkesson, cujo partido obteve 17,6% dos votos, quase 5% a mais que nas eleições anteriores, afirmou que está pronto para estabelecer compromissos.

 

 

 

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