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Combates no Iêmen deixam 84 mortos após fracasso de negociações de paz

ONU não conseguiu reunir o governo e os rebeldes iemenitas para reunião na quinta-feira 6 .

 
 -  Protestos contra o governo no Iêmen  Foto: Saleh Al-OBEIDI / AFP
Protestos contra o governo no Iêmen Foto: Saleh Al-OBEIDI / AFP

Pelo menos 11 combatentes pró-governo e 73 rebeldes huthis morreram no Iêmen em novos combates no entorno da cidade portuária de Hodeida, no oeste do território, após o fracasso das negociações previstas para acontecer em Genebra - relataram fontes hospitalares neste domingo (9).

Esse balanço corresponde às vítimas das últimas 24 horas.

Tentativa de diálogo fracassou

A ONU não conseguiu reunir o governo e os rebeldes iemenitas, apesar da expectativa de diálogo, o qual deveria ter começado na última quinta-feira (6).

"Escolhemos a determinação e a resistência diante da agressão", afirmou Abdel Malek al Huthi, líder rebelde, em um discurso retransmitido neste sábado pela emissora dos rebeldes Al Masirah.

O chamado foi feito horas depois de o enviado especial das Nações Unidas, Martin Griffiths, ter lamentado, em Genebra, o não comparecimento dos rebeldes huthis à reunião, deixando em evidência o fracasso das negociações

"Não conseguimos que a delegação de Sanaa [dos rebeldes huthis] viesse. Simplesmente não conseguimos", lamentou o diplomata britânico, em conversa com a imprensa.

Ele se mostrou muito prudente sobre a evolução dos acontecimentos: "É muito cedo para dizer quando serão realizadas as próximas consultas", acrescentou.

O ministro iemenita das Relações Exteriores, Khaled al-Yamani, criticou rapidamente a atitude "totalmente irresponsável" dos huthis e condenou sua "falta de seriedade no caminho para a paz".

Em entrevista à imprensa, o ministro também se mostrou muito duro com o enviado especial da ONU, a quem acusou de ser "conciliador" com os rebeldes huthis por não responsabilizá-los pelo fracasso das negociações.

"A falta de pressão [sobre os huthis] os levou a ver com desprezo os esforços realizados", disse. "Estamos decepcionados com as declarações [...] de Griffiths, mas apoiamos totalmente seus esforços, e continuaremos a fazê-lo", afirmou o ministro.

Abdel Malek al Huthi instou todos iemenitas a "ir a todas as frentes" e pediu que seus partidários reforcem "a defesa, a segurança" e recrutem "voluntários no terreno".

Cerca de 10.000 mortos

As discussões de Genebra, que deveriam começar na quinta-feira, seriam as primeiras desde o fracasso, em 2016, de um longo processo de paz para tentar acabar com o conflito que lançou o Iêmen na pior crise humanitária do mundo.

Mas os huthis, rebeldes que controlam grandes partes do território iemenita, inclusive Sanaa, permaneceram na capital do Iêmen por considerar que não têm garantias suficientes para viajar para Genebra. Eles querem poder voltar a Sanaa após os diálogos.

A capital iemenita está nas mãos dos rebeldes desde 2015. Mas coalização militar dirigida pela Arábia Saudita, que luta contra os rebeldes e apoia as forças pró-governo, impõe um bloqueio aéreo ao Iêmen. Por isso, os rebeldes temiam não poder voltar ao país.

Neste encontro não estava previsto nenhum encontro presencial entre os lados opostos, o que evidencia o abismo que divide ambos os lados.

Na quarta-feira (4), o Conselho de Segurança da ONU havia pedido aos envolvidos para "darem um primeiro passo em direção ao fim do conflito".

Consciente das dificuldades para iniciar as discussões, Martin Griffiths tinha criado uma meta pouco ambiciosa, garantindo que se tratava apenas de "consultas", visando a futuras negociações.

Griffiths é o terceiro mediador envolvido na complexa questão do Iêmen.

O conflito já deixou cerca de 10 mil mortos, segundo a ONU.

 

 

 

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