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Bienal do Livro de São Paulo aumenta o espaço para a literatura feminista e vê crescer venda de autoras; VÍDEO

Editoras destacam escritoras como Djamila Ribeiro, autora de Quem tem medo do feminismo negro? . Evento que termina domingo promoveu debates sobre o tema; veja entrevista com curadora.

 
 -  A professora Emilia Santana Lima fez questão de comprar livros de autoras negras na Bienal do Livro de SP  Foto: Fábio Tito/G1
A professora Emilia Santana Lima fez questão de comprar livros de autoras negras na Bienal do Livro de SP Foto: Fábio Tito/G1

É fácil ver que a literatura feminista é destaque na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que termina neste domingo (12). Diversas editoras colocaram em evidência, nos seus estandes, obras de autoras associadas ao feminismo. E a programação do evento promoveu vários debates sobre o tema.

"O feminismo é uma pauta da ordem do dia. Quando a gente pede às editoras sugestões de livros que estão sendo lançados sobre o tema, veio uma riqueza de títulos muito grande, na ficção e na não ficção", afirmou ao G1 Karina de Pino, curadora da Arena Cultural, do Salão de Ideias e do Espaço do Saber, três dos locais que sediaram discussões e palestras.

Veja, no vídeo acima, reportagem sobre literatura feminista na Bienal.

A professora Emilia Santana Lima, de 46 anos, dá aula para o 1º, 3º e 5º ano do ensino fundamental no CEU Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Na Bienal, comprou dois livros da Companhia das Letras num setor identificado como "literatura feminista":

  • "Quem tem medo do feminismo negro", da filósofa brasileira Djamila Ribeiro
  • "No seu pescoço", da escritora nigeriana Chimamanda Ngozie Adichie

Para Emilia, contou bastante o fato de serem duas escritoras negras – e feministas (Chimamanda também escreveu "Para educar crianças feministas").

"Acho que a gente está num momento crucial para discutir isso, a questão da violência contra a mulher que cresce a cada dia", afirmou a professora. "Eu trabalho na periferia, e os meus alunos trazem isso como temática. As mães, as irmãs, as tias que sofrem violência..."

A professora Emilia Santana Lima fez questão de comprar livros de autoras negras na Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1) A professora Emilia Santana Lima fez questão de comprar livros de autoras negras na Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1)

A professora Emilia Santana Lima fez questão de comprar livros de autoras negras na Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1)

Para Emilia, a geração atual "está mais aberta" a discussões sobre o feminismo.

"A minha geração não teve. Eu não me lembro da minha professora falar sobre feminismo comigo (risos). Fui aprendendo na vida adulta. Eles [os alunos] acabam questionando mais, questionam entre si quando existe uma postura ou uma fala machista."

Já a psicóloga Natália Malini, de 27 anos, moradora de Santo André, no Grande ABC, estava na Bienal usando fantasia inspirada nas roupas das protagonistas da série "The Handmaid's Tale".

Adaptação do romance "O conto da Aia" (Rocco), publicado em 1985 por Margaret Atwood, a série é considerada um dos principais símbolos do feminismo atual. Não por acaso, Natália comprou na Bienal duas outras obras da mesma escritora.

A psicóloga Natália Malini visitou a Bienal do Livro de SP fantasiada como personagem da série 'The Handmaid's Tail', inspirada em livros de Margaret Atwood. Ela aproveitou para comprar títulos da autora (Foto: Fábio Tito/G1) A psicóloga Natália Malini visitou a Bienal do Livro de SP fantasiada como personagem da série 'The Handmaid's Tail', inspirada em livros de Margaret Atwood. Ela aproveitou para comprar títulos da autora (Foto: Fábio Tito/G1)

A psicóloga Natália Malini visitou a Bienal do Livro de SP fantasiada como personagem da série 'The Handmaid's Tail', inspirada em livros de Margaret Atwood. Ela aproveitou para comprar títulos da autora (Foto: Fábio Tito/G1)

"O povo fala mais sobre isso [feminismo], fica mais fácil de você ter acesso a esse tipo de conteúdo. A Bienal é um espaço para isso também. Com certeza, o acesso é muito maior do que antigamente. Acho ótimo, todo mundo tem que ler e estar ativo mesmo. Homem, mulher, o que for. É para todos."

Feminismo (também) para crianças

Márcia Alves, da editora V&R, destacou o livro 'Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes', que apresenta histórias de mulheres fortes para público infantil (Foto: Fábio Tito/G1) Márcia Alves, da editora V&R, destacou o livro 'Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes', que apresenta histórias de mulheres fortes para público infantil (Foto: Fábio Tito/G1)

Márcia Alves, da editora V&R, destacou o livro 'Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes', que apresenta histórias de mulheres fortes para público infantil (Foto: Fábio Tito/G1)

No estande da V&R Editoras, o mais vendido é "Histórias de ninar para garotas rebeldes", das italianas Ele Favilli e Francesca Cavallo.

Lançado no Brasil em 8 de março de 2017, o volume já rendeu continuação. Marcia Alves, editora do primeiro e coeditora do segundo, comemorava na Bienal o fato de os dois títulos teverem vendido, somados, 300 exemplares nos sete primeiros dias do evento. "É muito bom para uma feira", afirmou.

Ela reconhece que "Histórias de ninar para garotas rebeldes" pode ser entendido como um livro feminista.

"Não é só um livro para meninas ou para mulheres, mas para todas as idades. É um livro de cabeceira, para que você conheça o máximo de personalidades que fizeram diferença no mundo – e todas elas mulheres", justifica.

"[No livro] Tem escritoras, cientistas, pesquisadoras... Então pode chamar, sim, de um livro feminista, porque defende a causa da mulher. É o nosso best seller. Desde o ano passado, é o mais vendido da casa."

Karina de Pino, a curadora da Bienal, acredita que "quanto mais cedo as meninas começarem a falar e a entender que elas não são piores do que os meninos ou têm menos direitos do que os meninos... acho fantástico".

Karina de Pino, curadora da Bienal do Livro de São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1) Karina de Pino, curadora da Bienal do Livro de São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1)

Karina de Pino, curadora da Bienal do Livro de São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1)

'Clube da Luta Feminista' (Rocco), de Jessica Bennett, um dos diversos títulos com temática feminista destacados em estandes da Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1) 'Clube da Luta Feminista' (Rocco), de Jessica Bennett, um dos diversos títulos com temática feminista destacados em estandes da Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1)

'Clube da Luta Feminista' (Rocco), de Jessica Bennett, um dos diversos títulos com temática feminista destacados em estandes da Bienal do Livro de SP (Foto: Fábio Tito/G1)

Vitrine com lista de 10 livros mais vendidos da Companhia das Letras na Bienal do Livro de São Paulo traz maioria de títulos escritos por mulheres (Foto: Fábio Tito/G1) Vitrine com lista de 10 livros mais vendidos da Companhia das Letras na Bienal do Livro de São Paulo traz maioria de títulos escritos por mulheres (Foto: Fábio Tito/G1)

Vitrine com lista de 10 livros mais vendidos da Companhia das Letras na Bienal do Livro de São Paulo traz maioria de títulos escritos por mulheres (Foto: Fábio Tito/G1)

25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

  • Quando: de 3 a 12 de agosto
  • Onde: Pavilhão Anhembi (Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
  • Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada) de segunda a quinta-feira; e R$ 25 (com meia-entrada) de sexta-feira a domingo.
  • Site oficial: www.bienaldolivrosp.com.br

 

 

 

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