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Nicarágua tem greve geral para exigir a saída do presidente Daniel Ortega

Oposição se manifesta contra repressão do governo a manifestações e pede saída do presidente. Segundo CIDH, 264 pessoas morreram desde 18 de abril.

 
 -  Posto é fechado nesta sexta-feira  13  em dia de greve nacional na Nicarágua  Foto: Inti Ocon/AFP
Posto é fechado nesta sexta-feira 13 em dia de greve nacional na Nicarágua Foto: Inti Ocon/AFP

Ônibus e ruas vazias, lojas fechadas: a Nicarágua acordou paralisada nesta sexta-feira (13), em meio à greve geral decretada pela oposição para exigir a saída do presidente Daniel Ortega, que, em resposta, mobiliza seus partidários para marcharem até Masaya, a cidade mais rebelde do país.

Esta segunda greve geral de 24 horas começou na madrugada desta sexta, à 0h do horário local (3h, pelo horário de Brasília), convocada pela Aliança Cívica para a Democracia e a Justiça, coalizão da oposição que inclui setores da sociedade civil. Um primeiro movimento social idêntico bloqueou o país em 14 de junho.

"Esvaziamos as ruas para mostrar que não queremos mais repressão e que queremos que eles vão embora", lançou a oposição no início da mobilização, referindo-se ao casal presidencial Daniel Ortega e Rosario Murillo, que além de primeira-dama também é vice-presidente.

Mercado "Oriental" em Manágua permanece fechado nesta sexta-feira (13) por greve geral pela saída do presidente Daniel Ortega (Foto: Inti Ocon/AFP) Mercado "Oriental" em Manágua permanece fechado nesta sexta-feira (13) por greve geral pela saída do presidente Daniel Ortega (Foto: Inti Ocon/AFP)

Mercado "Oriental" em Manágua permanece fechado nesta sexta-feira (13) por greve geral pela saída do presidente Daniel Ortega (Foto: Inti Ocon/AFP)

A greve faz parte de uma série de ações de três dias lançada pelo campo anti-Ortega para reforçar a pressão sobre o governo.

Na véspera, um mar azul e branco - as cores da Nicarágua - invadiu as ruas da capital e de outras cidades. Confrontos durante uma marcha a Morrito, no sudeste do país, deixaram cinco mortos: quatro policiais e um manifestante.

No sábado, uma carreata da oposição deve percorrer bairros da capital, onde a polícia e grupos paramilitares lançaram violentas operações para acabar com as barricadas dos manifestantes.

Os adversários de Ortega pedem justiça, eleições antecipadas, ou a saída do presidente, acusado de repressão durante os protestos contra a reforma da previdência, em abril, e de ter instaurado com sua mulher o que dizem ser uma "ditadura" marcada pela corrupção e pelo nepotismo.

Lojas do mercado "Roberto Huembes" em Manágua fecham nesta sexta-feira (13) por greve-geral no país (Foto: Marvin Recinos/AFP) Lojas do mercado "Roberto Huembes" em Manágua fecham nesta sexta-feira (13) por greve-geral no país (Foto: Marvin Recinos/AFP)

Lojas do mercado "Roberto Huembes" em Manágua fecham nesta sexta-feira (13) por greve-geral no país (Foto: Marvin Recinos/AFP)

O país mais pobre da América Central registra manifestações de amplitude histórica contra Daniel Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos. Ortega está no poder desde 2007, depois de uma passagem de 1979 a 1990.

Segundo a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), pelo menos 264 pessoas morreram desde 18 de abril. Diante do agravamento da situação, a Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma sessão extraordinária sobre a Nicarágua nesta sexta.

'Marcha rumo à vitória'

Em plena greve geral, Ortega deve empreender, nesta sexta, uma marcha em memória da revolução sandinista de 1979, rumo a Masaya, a cerca de 30 quilômetros de Manágua.

Foto de 7 de julho de 2018 mostra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo (Foto: Oswaldo Rivas/Reuters) Foto de 7 de julho de 2018 mostra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo (Foto: Oswaldo Rivas/Reuters)

Foto de 7 de julho de 2018 mostra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo (Foto: Oswaldo Rivas/Reuters)

A guerra civil que tomou conta da Nicarágua naquela época derrubou a ditadura de Anastásio Somoza. Milhares de guerrilheiros de Manágua se entrincheiraram em Masaya para reunir forças para derrubar Somoza. Uma junta formada por sandinistas e liberais, incluindo Ortega e outros comandantes, assumiu o poder.

O "repliegue" ("recuo", em tradução livre), nome que remonta ao histórico episódio, aconteceu em 27 de junho de 1979.

"A marcha para a vitória não para", convocou Rosario Murillo, mobilizando os fiéis da Frente Sandinista da Libertação Nacional (FSLN, de esquerda), o partido da situação.

Masaya, bairro indígena de Monimbo, está em alerta.

"Não ao recuo", "não nos entregaremos jamais", "Monimbo resiste hoje, amanhã e sempre", lê-se nos muros e nas barricadas.

 

 

 

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