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Páginas inéditas do diário de Anne Frank trazem piadas '''sujas''' e comentários sobre sexo

Os escritos estavam cobertos com um papel pardo e contêm frases rasuradas, além de quatro piadas e 33 linhas sobre educação sexual e prostituição.

 

Duas páginas inéditas do diário de Anne Frank acabam de ser publicadas, contendo cinco frases rasuradas, quatro "piadas sujas", com conotação sexual, e 33 linhas escritas por ela sobre educação sexual e prostituição.

O diário da jovem adolescente judia, que viveu por dois anos em um esconderijo em Amsterdã, na Holanda, para tentar escapar dos nazistas que ocupavam o país na 2ª Guerra Mundial, tornou-se mundialmente famoso quando publicado por seu pai - após a morte de Anne e dois anos depois de encerrada a guerra.

As páginas só agora reveladas estavam cobertas com um papel pardo, aparentemente uma estratégia que a jovem adotou para esconder o conteúdo da família.

Novas técnicas de análise de imagens permitiram que pesquisadores, finalmente, lessem o que havia escrito.

Os registros foram feitos em 28 de setembro de 1942, menos de três meses depois de Anne, então com 13 anos, passar a viver no esconderijo com a família.

"Vou usar essa página estragada para escrever piadas 'sujas'", redigiu ela em uma das folhas com um punhado de frases riscadas onde anotou quatro piadas que conhecia.

O conteúdo também mostra algumas linhas que acrescentou sobre educação sexual, imaginando que teria de ter "a conversa" sobre o assunto com outra pessoa, e menções que faz a prostitutas - sobre as quais seu pai teria lhe contado.

"Anne Frank escreve sobre sexualidade de forma singela, sem malícia", diz Ronald Leopold, do museu Casa de Anne Frank, em Amsterdã. O museu revelou na terça-feira, dia 15, que uma nova tecnologia havia tornado o texto legível.

A divulgação foi feita no Twitter em um post escrito em inglês com imagens das páginas cobertas com o papel pardo (veja abaixo).

"Como todo adolescente, ela estava curiosa sobre o assunto", complementou Leopold.

A opinião quanto à singeleza da escrita é compartilhada por Frank van Vree, diretor do instituto Niod, que ajudou a decifrar as páginas a partir de novas fotografias tiradas em 2016.

"Quem lê os trechos recém-descobertos não consegue conter o riso", disse ele.

'Piadas clássicas'

"As piadas 'sujas' são clássicas entre adolescentes. Elas deixam claro que Anne, com todos os seus talentos, era acima de tudo também uma garota comum", acrescenta van Vree.

Uma das piadas diz: "Você sabe por que as garotas alemãs da Wehrmacht (forças armadas) estão na Holanda? Como colchões para os soldados."

O Museu de Anne Frank afirma que esta não foi a única vez em que a adolescente escreveu sobre sexo - mencionando outras piadas que ela ouvia as pessoas contarem em seu esconderijo, ou trechos sobre sua menstruação e sexualidade.

Sobre a decisão de publicar páginas que a adolescente claramente queria manter ocultas, o museu disse que o diário dela - um documento declarado como patrimônio mundial pela Unesco - possuía significativo interesse acadêmico.

A direção do museu também acrescentou que as páginas "não mudam a imagem" que se tem de Anne.

"Ao longo das décadas, Anne cresceu como símbolo mundial do Holocausto enquanto o seu lado menina ficou cada vez mais ofuscado", disse o comunicado.

"Estes textos literalmente descobertos trazem para o primeiro plano a adolescente curiosa e em muitos aspectos precoce."

Anne Frank se escondeu em um anexo secreto do escritório comercial de seu pai em 5 de julho de 1942, cerca de um mês depois de ter ganhado um diário de presente por seu aniversário de 13 anos.

Ela viveu nesse esconderijo com o pai, Otto, a mãe, Edith, e a irmã mais velha, Margot, além de outra família judia, os Van Pels, até serem descobertos dois anos depois pelos nazistas e mandados para campos de concentração, em agosto de 1944.

Como eles foram encontrados após tanto tempo permanece um mistério.

Anne morreu de tifo no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, em março de 1945 - mesmo ano em que a guerra terminou. Seu pai, o único membro da família a sobreviver, publicou o diário da filha em 1947.

 

 

 

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