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Bebê palestino morre intoxicado por gás lacrimogêneo em Gaza

Agora, são 59 palestinos mortos nos confrontos com as tropas israelenses.

 
 -  Palestinos protestam na fronteira de Gaza com Israel  Foto: Mahmud Hams/AFP
Palestinos protestam na fronteira de Gaza com Israel Foto: Mahmud Hams/AFP

Um bebê de 8 meses morreu na noite de segunda-feira (14) devido à asfixia causada pelo gás lacrimogêneo lançado pelo Exército de Israel em Gaza durante os protestos de ontem, informaram fontes oficiais da Palestina.

Ashraf Al Qedr, porta-voz do Ministério da Saúde palestino, confirmou a morte da menina, Laila al Gandor, subindo para 59 o número de mortos nas manifestações contra a inauguração da Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém e também na Grande Marcha do Retorno.

Além disso, mais de 2,7 mil palestinos ficaram feridos, a metade deles por bala ou estilhaços.

  • Veja FOTOS do confronto

Paramédicos palestinos erguem os braços em meio à fumaça sinalizando que estão apenas recolhendo mortos e feridos na fronteira entre Gaza e Israel, em conflito após protestos contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Thomas Coex/AFP) Paramédicos palestinos erguem os braços em meio à fumaça sinalizando que estão apenas recolhendo mortos e feridos na fronteira entre Gaza e Israel, em conflito após protestos contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Thomas Coex/AFP)

Paramédicos palestinos erguem os braços em meio à fumaça sinalizando que estão apenas recolhendo mortos e feridos na fronteira entre Gaza e Israel, em conflito após protestos contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Thomas Coex/AFP)

Os protestos tiveram a participação de famílias inteiras, atendendo uma chamada do Hamas. Pais, mães, idosos e crianças, alguns dos quais estavam na vanguarda dos protestos.

No entanto, no caso de Laila, sua mãe estava com um grupo de pessoas a um quilômetro de distância da linha da fronteira, perto de barracas de campanha instaladas pelos organizadores, mas o gás lacrimogêneo estendeu até esta área.

Palestino carrega no colo um companheiro manifestante ferido durante confronto com tropas israelenses perto da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, no dia da abertura da Embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP) Palestino carrega no colo um companheiro manifestante ferido durante confronto com tropas israelenses perto da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, no dia da abertura da Embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP)

Palestino carrega no colo um companheiro manifestante ferido durante confronto com tropas israelenses perto da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, no dia da abertura da Embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP)

Desde o dia 30 de março, diversas facções palestinas convocaram manifestações semanais para reivindicar seu direito ao retorno às terras das que foram expulsos ou fugiram com a guerra e criação do Estado de Israel em 1948, que completou 70 anos.

Além disso, ontem eles saíram para protestar pela mudança da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém, que representa uma mudança no consenso histórico internacional.

Os protestos de ontem em Gaza "não têm precedentes nas semanas anteriores em seu grau de violência", disse o general-de-brigada e porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Ronen Manelis.

"O Hamas está disfarçando ações terroristas, a intenção de penetrar em território israelense, de manifestações pacíficas que leva mulheres e crianças e que são colocadas na primeira fila", denunciou o militar, pedindo que os habitantes de Gaza que não se aproximem da cerca na qual o Hamas os empurra.

"Se, apesar de tudo, eles são crianças, o dano é de inteira responsabilidade do Hamas", afirmou Manelis.

Os palestinos lembram hoje a Nakba (Catástrofe, em árabe), na qual marcam o 70º aniversário do desastre que significa para eles a criação de Israel e o começo de seu exílio.

  • Três questões-chave para entender a polêmica transferência da embaixada dos EUA em Israel

Reação internacional

A Autoridade Palestina acusou Israel de cometer um "massacre horrível" na fronteira. A Anistia Internacional pediu a Israel o fim da "abominável violação" dos direitos humanos na Faixa de Gaza. A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciou uma greve geral nos territórios palestinos para esta terça, em luto pelo "martírio" na Faixa de Gaza.

O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, reagiu sobre os confrontos em Gaza dizendo: "A morte chocante de dezenas de pessoas e os centenas de feridos por tiros de munição real em Gaza devem parar imediatamente, e os autores dessas violações flagrantes dos direitos humanos devem ser responsabilizados".

A União Europeia pediu "máxima moderação" depois das mortes em Gaza. O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a violência das forças armadas israelenses contra os manifestantes palestinos durante conversas por telefone com o presidente palestino Mahmoud Abbas e o rei Abudllah da Jordânia.

O governo da África do Sul retirou até segunda ordem seu embaixador de Israel e o governo da Turquia chamou para consultas seus embaixadores em Tel Aviv e Washington.

Os países árabes solicitaram, através do Kuwait, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser realizada na terça-feira.

Decisão polêmica

Ivanka Trump inaugura embaixada dos EUA em Jerusalém nesta segunda-feira (14) (Foto: Ronen Zvulun/Reuters) Ivanka Trump inaugura embaixada dos EUA em Jerusalém nesta segunda-feira (14) (Foto: Ronen Zvulun/Reuters)

Ivanka Trump inaugura embaixada dos EUA em Jerusalém nesta segunda-feira (14) (Foto: Ronen Zvulun/Reuters)

A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a representação diplomática de Tel Aviv para essa cidade é muito polêmica e foi criticada pela União Europeia e por países árabes porque rompe com o consenso internacional de não reconhecer a cidade como capital da Palestina ou de Israel até que um acordo de paz seja firmado entre as duas partes.

A liderança da Autoridade Palestina se recusa a conversar com os representantes do governo Trump desde o anúncio da transferência da embaixada, nem sequer com o genro do presidente, Jared Kushner, que havia sido designado para estimular o processo de paz.

Nesta segunda, o governo do Reino Unido ressaltou seu desacordo em relação à transferência da embaixada americana e deixou claro que a delegação britânica continuará em Tel Aviv.

A Rússia expressou o temor de que a tensão aumente em toda a região do Oriente Médio. O Líbano classificou a mudança como uma "nova catástrofe" para os palestinos.

O Irã condenou a mudança da embaixada e advertiu que esta medida só fortalecerá "a determinação da nação palestina oprimida para resistir à ocupação" de Israel.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente preocupado" e pediu uma "necessária contenção" perante as notícias sobre a morte de um "número significativo" de pessoas.

Entenda a disputa

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

Apesar de apelos por parte de líderes árabes e europeus, e de advertências que a decisão poderia desencadear uma onda de protestos e violência, Trump resolveu adotar uma nova abordagem sobre o tema, considerando que mesmo com a postura anterior dos EUA, a paz na região até hoje não foi atingida.

Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da comunidade internacional é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

 (Foto: Karina Almeida/ Arte G1)  (Foto: Karina Almeida/ Arte G1)

(Foto: Karina Almeida/ Arte G1)

 

 

 

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