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Ex-empresário, novo secretário de Estado dos EUA tentou vender equipamentos à Petrobras

O objetivo era fornecer equipamentos mecânicos conhecidos como cavalos de pau e torres de perfuração, que são comprados pela Petrobras e suas empresas coligadas de fornecedores terceirizados.

 
 -  Mike Pompeo comandará a CIA no governo Trump  Foto: JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Mike Pompeo comandará a CIA no governo Trump Foto: JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Apontado nesta terça-feira (13) para o maior cargo da diplomacia dos Estados Unidos, o advogado Mike Pompeo tentou se aproximar do Brasil nos anos 2000, quando era presidente de uma empresa de equipamentos para exploração de petróleo.

Sob a liderança de Pompeo, a Sentry International firmou contrato com uma empresa de consultoria e representação comercial de Salvador, entre 2006 e 2007, na tentativa de ganhar espaço no mercado brasileiro de exploração de óleo em terra firme.

O objetivo era fornecer equipamentos mecânicos conhecidos como "bombas cavalo de pau", usadas para realizar bombeamento mecânico de petróleo, e torres de perfuração, ambos comprados pela Petrobras e suas empresas coligadas de fornecedores terceirizados.

O brasileiro Gerson Torres Ferreira é sócio da GTF, empresa que representou os negócios de Pompeo no Brasil..

"O contato principal era o diretor comercial, mas uma vez me encontrei com Pompeo na OTC (feira internacional da indústria petroquímica), em Houston (Texas)", disse Ferreira à BBC Brasil.

"Nos apresentamos e conversamos bastante sobre oportunidades de negócio. Ele queria desenvolver as vendas da empresa por aqui."

As tentativas duraram aproximadamente um ano - período em que durou o contrato entre Pompeo e a firma brasileira -, mas não tiveram final feliz.

"Havia uma refratariedade muito grande na Petrobras para a contratação de novos fornecedores", diz Ferreira. "Tinha muito potencial, mas era muito difícil furar esse bloqueio na Petrobras."

Entre outros clientes, a GTF ainda atua como representante comercial no Brasil de um braço das Indústrias Koch, gigante do setor de energia americano.

Os donos da Koch estão entre os principais doadores do partido Republicano - inclusive da campanha de Pompeo à Câmara dos Representantes (equivalente a Câmara dos Deputados no Brasil), onde representou o estado de Kansas entre 2011 e 2017.

Dança das cadeiras

Pompeo foi indicado por Trump como novo secretário de Estado (o equivalente ao Ministro de Relações Exteriores, no Brasil) nesta terça-feira - a nomeação ainda depende de aprovação do Senado dos EUA, que deve sabatiná-lo em abril.

Colega de Trump no partido Republicano, Pompeo faz parte do Tea Party - tradicional ala mais conservadora do partido.

Para assumir o Departamento de Estado, ele deixará sua cadeira de diretor da CIA, a agência federal de investigação dos EUA, onde está desde o início do mandato de Trump.

"Mike Pompeo, diretor da CIA, se tornará nosso novo Secretário de Estado. Ele fará um trabalho fantástico! Obrigado a Rex Tillerson por seu serviço! Gina Haspel se tornará a nova diretora da CIA e a primeira mulher à frente da agência. Parabéns a todos!", disse Trump pelo Twitter, pegando jornalistas e membros de sua equipe de surpresa.

Pompeo é descrito como aliado fiel de Trump - diferente de Rex Tillerson, recém-demitido da Departamento de Estado, com quem o presidente americano teve uma série de desentendimentos públicos nos últimos meses.

O afastamento entre Tillerson e Trump - que discordavam sobre a permanência dos EUA no Acordo de Paris e sobre o acordo nuclear feito por Obama com o Irã - ficou mais evidente na semana passada, quando Trump anunciou que aceitava se encontrar com o líder norte-coreano Kim Jong-un, para surpresa do então secretário de Estado.

Em comunicado à imprensa, nesta terça, um porta-voz do departamento de Estado disse que Tillerson não falou diretamente com Trump sobre a demissão.

"O secretário tinha intenção de permanecer por conta do intenso progresso feito na segurança nacional e em outras áreas", disse Steve Goldstein, subsecretário de diplomacia pública do Departamento de Estado. "O Secretário não conversou com o presidente e não teve conhecimento das razões."

Minutos depois do comunicado, em nova reviravolta, a administração de Trump decidiu demitir também Goldstein, que deixa a subsecretaria nesta terça-feira.

Trump comentou brevemente a relação com Mike Pompeo e Rex Tillerson em conversa com jornalistas, nesta manhã, na Casa Branca.

"Eu me dei bem com Rex, mas realmente temos uma mentalidade diferente, um pensamento diferente", disse Trump. "Quando você olha para o acordo do Irã, acho que é terrível. Acho que ele achou que estava tudo bem. Então, nós pensamos diferente. Com Mike, Mike Pompeo, temos um processo de pensamento muito parecido. Eu acho que será muito bom."

Durante o anúncio, Trump também classificou Pompeo como alguém com "tremenda energia e tremendo intelecto".

Congressista

Antes de se graduar em direito pela universidade de Harvard, em 1994, Pompeo foi oficial do exército americano.

Após quase duas décadas no setor privado, incluindo a temporada na Sentry, quando tentou negócios no Brasil, Pompeo se elegeu membro da Câmara dos Representantes (equivalente americano da Câmara dos Deputados brasileira), onde representou o estado de Kansas entre 2011 e 2017.

Na Casa, ele participou do Comitê de Energia e Comércio, com foco justamente nas áreas em que atuava durante sua temporada no mercado.

"Estou profundamente grato ao Presidente Trump por me permitir indicar como Diretor da Agência Central de Inteligência e por esta oportunidade de servir como Secretário de Estado", disse Pompeo em comunicado.

"Sua liderança tornou a América mais segura e espero representar o presidente e o povo americano frente ao resto do mundo para promover a prosperidade da América. Servir ao lado dos grandes homens e mulheres da CIA, os funcionários públicos mais dedicados e talentosos que encontrei, foi uma das grandes honras da minha vida", continuou.

Em nota enviada pela Casa Branca, Trump dosse que está "confiante de que Pompeo é a pessoa certa para o trabalho nesta conjuntura crítica".

"Ele continuará nosso programa de restauração da posição dos Estados Unidos no mundo, fortalecendo nossas alianças, confrontando nossos adversários e buscando a desnuclearização da península coreana", disse Trump.

 

 

 

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