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'''Corretora''' de bitcoin movimenta até R$ 20 milhões por dia e tem líder de 23 anos; veja como funciona

G1 visitou uma das principais casas de câmbio da moeda virtual no Brasil e mostra como funciona o negócio; ambiente é de startup, com equipe jovem e até chopeira no escritório.

 
 -  Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, uma das maiores   39;corretoras  39; de bitcoin do Brasil.  Foto: Marcelo Brandt/G1
Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, uma das maiores 39;corretoras 39; de bitcoin do Brasil. Foto: Marcelo Brandt/G1

A oscilação da cotação do bitcoin produz milhares de ganhadores ou perdedores no Brasil, país que já tem mais investidores na moeda virtual do que na bolsa de valores. Mas alguns participantes desse mercado sempre ganham dinheiro com a moeda virtual, seja na alta ou na baixa: são as “casas de câmbio” que, ao intermediar a negociação de bitcoins, chegam a movimentar R$ 20 milhões por dia no Brasil - e cobram taxas dos investidores pela compra ou venda das criptomoedas.

Como funciona uma 'Corretora de bitcoin

Como funciona uma 'Corretora de bitcoin'

O G1 visitou a Foxbit, uma das maiores “corretoras” do país. Formalmente, essas empresas não são corretoras, pois não possuem credenciamento junto ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O nosso trabalho é basicamente prover um meio de campo entre duas pessoas, uma que quer comprar e outra que quer vender. E a gente garante que no final do dia uma vai receber o bitcoin e outra vai receber o real como negociou”, afirma Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit.

A empresa fundada por ele já movimentou R$ 3 bilhões desde quando foi aberta, em dezembro de 2014. Somados os cadastrados de Mercado Bitcoin, Bitcon to You e da Foxbit, o número de investidores brasileiros de bitcoin já supera o volume de pessoas que negociam na Bovespa.

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Ambiente de startup

Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, uma das maiores 'corretoras' de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1) Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, uma das maiores 'corretoras' de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, uma das maiores 'corretoras' de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Assim como Schiavon, que tem 23 anos, os mais de 60 funcionários da Foxbit são, em sua maioria, jovens. Quase todos têm menos de 30 anos.

Ao contrário de uma financeira tradicional, não é difícil topar com alguém vestindo bermuda no escritório.

“Aqui o ambiente é muito startup, né. Sem ‘dress code’. Tem área de descompressão com games, tem happy hour, tem uma máquina de chope no escritório, para depois do expediente", explica Schiavon.

"É um ambiente muito mais informal do que o tradicional."

Outra diferença é o currículo mais variado. Há formados em áreas como química e psicologia. Ou sem formação alguma, como o próprio Schiavon, que largou a faculdade de sistema de informação em 2015, após três anos de curso.

“Eu estava perdendo duas coisas que eu não tinha: tempo e dinheiro”, diz.

A saída foi motivada pela Foxbit, que fora fundada um ano antes e começava a ganhar escala. Ele conheceu seu sócio no negócio, João Canhada, de 26 anos, em um fórum sobre bitcoin na internet. Mas só veio a encontrá-lo pessoalmente depois de a empresa já ter sido aberta.

“Eu só o conheci depois de assinar os contratos, que eram enviados pelos Correios”, diz. “A gente era usuário das outras ‘corretoras’, que tinham vários problemas de transparência e agilidade.”

Nascido em Marília, ele só se mudou para a capital paulista São Paulo em 2016. Retorna todos os fins de semana para a cidade natal, onde encontra a família e a namorada.

Para ele, juventude não é um problema. “Eu acredito que você tem mais gás para trabalhar é quando você é mais novo. A gente teve períodos em que trabalhamos 18, 19 horas por dia. Agora é hora de criar e acumular riqueza.”

Mas não vê problema em dosar esse “gás jovem” com um pouquinho de maturidade. “Quando a Foxbit nasceu, éramos eu e o João, mas depois a gente conseguiu dois sócios mais velhos, que eram os freios.”

“Tem a empolgação dos mais novos e o conservadorismo dos mais velhos. Acho que somando os dois, dá muito certo. Se fosse só um, poderia quebrar a cara. Se fosse só outro, poderia não crescer.”

Mas, na hora de montar a equipe da nova empresa, o empresário não vê problemas em se cercar de jovens. “Da minha equipe, três eu conheci jogando online”, diz ele. A primeira funcionária da empresa foi recrutada dessa forma. Na época, seu game preferido era “Ragnarok”. Hoje é “Counter Strike: Global Offensive”. Não gosta muito das sensações “League of Legends” e “Overwatch”. “Eu não sou fã de LoL, não, mas o pessoal da empresa gosta bastante.”

Sala de relaxamento da Foxbit, em que funcionários podem jogar videogame. (Foto: Marcelo Brandt/G1) Sala de relaxamento da Foxbit, em que funcionários podem jogar videogame. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Sala de relaxamento da Foxbit, em que funcionários podem jogar videogame. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Como é o trabalho

Os mais de 400 mil cadastrados da Foxbit fazem de 10 mil a 15 mil compras e vendas por dia. A recente queda no valor da moeda virtual foi sentida pela empresa, mas não chegou a diminuir o volume de negócios.

"Agora a gente tem um período de incerteza. E isso diminui as frentes compradoras. O bitcoin deu uma queda e isso ajuda a diminuir o volume, mas o nosso volume continuou em torno de R$ 15 milhões, R$ 20 milhões [por dia]”, afirma Schiavon.

O primeiro ponto de contato do investidor com essas empresas é o cadastro. É necessário enviar documentos que comprovem identidade e, em alguns casos, fontes de renda. Depois disso, ele deve enviar dinheiro para abastecer sua conta na "corretora". É por meio dela que o investidor irá comprar bitcoin ou guardar o que for obtido com a venda.

As duas etapas são feitas pelo setor de retaguarda. Na Foxbit, entre depósitos e retiradas de dinheiro, são 5 mil as operações diárias.

Tecnologia invisível

Ambiente de trabalho da Foxbit, uma das maiores "corretoras" de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1) Ambiente de trabalho da Foxbit, uma das maiores "corretoras" de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Ambiente de trabalho da Foxbit, uma das maiores "corretoras" de bitcoin do Brasil. (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Outra etapa desse processo é executada pela área de reconciliação, mas é invisível para o usuário. “Eles agem corrigindo ou prevenindo erros do operacional”, diz Schiavon. Isto é, verificando “se não houve falha, se a gente não fez nenhuma transferência incorreta ou se o cliente não fez uma transferência incorreta para a nossa conta”.

A área de desenvolvedores das “casas de câmbio” de bitcoin entra em ação para trabalhar na interface usada pelos investidores e nos sistemas de reconciliação e de guarda das divisas digitais. Também cria novas plataformas de compra e venda de criptomoedas.

Negócios de grande valor

Em algumas dessas empresas, há balcões de negócios destinados a investidores de alto poder aquisitivo.

“Se o investidor falar, 'eu quero R$ 1 milhão em bitcoin', ele manda a documentação para provar que o dinheiro é lícito, a gente faz todo o processo de compra para ele, vai atrás de liquidez, vai atrás de pessoas que têm bitcoin e minera", diz Schiavon.

A empresa diz ainda que tenta adotar práticas de compliance (boas práticas corporativas) nos negócios da corretora, algo que é comum em mercados regulados. A compra e venda de bitcoin não é regulada pelo Banco Central nem pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Infográfico mostra como funciona o bitcoin (Foto: Ilustração: Igor Estrella/G1) Infográfico mostra como funciona o bitcoin (Foto: Ilustração: Igor Estrella/G1)

Infográfico mostra como funciona o bitcoin (Foto: Ilustração: Igor Estrella/G1)

 

 

 

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