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No PA, carnaval celebra a floresta e leva dezenas de '''animais''' para a folia

Manifesto ecológico acontece há mais de 40 anos em Cametá. Crianças usam fantasias realistas de bichos da floresta criadas por mestre Zenóbio.

 
 -  Criança fantasiada de arara se prepara para o carnaval ecológico da pacata comunidade de Juaba, em Cametá  Foto: Raimundo Paccó
Criança fantasiada de arara se prepara para o carnaval ecológico da pacata comunidade de Juaba, em Cametá Foto: Raimundo Paccó

Em Cametá, nordeste do estado, a floresta invade o corredor da folia e cai no samba. Nesta terça-feira (13), crianças fantasiadas de arara, jacaré, boto, cobra e outros animais da selva amazônica desfilam no “Cordão da Bicharada”.

Criança fantasiada de arara se prepara para o carnaval ecológico da pacata comunidade de Juaba, em Cametá  (Foto: Raimundo Paccó) Criança fantasiada de arara se prepara para o carnaval ecológico da pacata comunidade de Juaba, em Cametá  (Foto: Raimundo Paccó)

Criança fantasiada de arara se prepara para o carnaval ecológico da pacata comunidade de Juaba, em Cametá (Foto: Raimundo Paccó)

O carnaval na floresta é realizado desde 1975 na comunidade de Juaba, vila de Cametá, cidade histórica do Pará. Crianças se vestem com as fantasias criadas Mestre Zenóbio Gonçalves, criador do manifesto ecológico que anima o carnaval.

Crianças se fantasiam de diversos bichos da floresta amazônica (Foto: Raimundo Paccó) Crianças se fantasiam de diversos bichos da floresta amazônica (Foto: Raimundo Paccó)

Crianças se fantasiam de diversos bichos da floresta amazônica (Foto: Raimundo Paccó)

Mestre Zenóbio tem 70 anos e há 43 se dedica na arte de produzir fantasias de animais a partir de restos vegetais, sarrapilheira e malva, aproveitando também materiais sintéticos como pelúcia, isopor, TNT e espuma. A brincadeira de carnaval começou com cerca de 20 bichos e hoje já passam de 120 representações animalescas de várias espécies.

realismo das fantasias criadas por mestre Zenóbio assustava as pessoas no começo da tradição (Foto: Divulgação) realismo das fantasias criadas por mestre Zenóbio assustava as pessoas no começo da tradição (Foto: Divulgação)

realismo das fantasias criadas por mestre Zenóbio assustava as pessoas no começo da tradição (Foto: Divulgação)

O artesanato dá forma a fantasias com um realismo impressionante. “No começo, o público se assustava bastante com os animais gigantes que invadiam a cidade no carnaval”, diz mestre Zenóbio.

“Hoje em dia, aonde quer que a gente se apresente, é uma felicidade. Crianças, jovens, adultos e idosos se unem aos bichos. As pessoas tinham medo da gente. Nós tínhamos uma regra de não tirar as máscaras e fantasias após o desfile porque queríamos conquistar o povo como bicho e não como gente”, afirma.

Reconhecido em 2017 pelo Prêmio Manifestações Culturais da Fundação Cultural do Pará, Mestre Zenóbio relata que toda esta diversidade de animais da fauna, principalmente amazônica, foi criada com o objetivo de conscientizar a sociedade da relação homem – natureza, aproximando as espécies do mundo animal com as pessoas, abrindo os olhos da sociedade para a importância da preservação ambiental. “Queríamos trazer uma mensagem da floresta para as pessoas, mostrando as dificuldades dos animais com a devastação das matas, com a poluição ambiental e como eles sobrevivem”, diz.

Crianças andam pelas ruas de Juaba vestidas de animais (Foto: Raimundo Paccó/O Liberal) Crianças andam pelas ruas de Juaba vestidas de animais (Foto: Raimundo Paccó/O Liberal)

Crianças andam pelas ruas de Juaba vestidas de animais (Foto: Raimundo Paccó/O Liberal)

Segundo o Mestre Zenóbio, com tanto tempo de tradição, cada vez mais pessoas procuram participar do cordão. O que começou com cerca de 20 bichos, hoje já conta com 120 representações animalescas de várias espécies. “Só desfilávamos em comunidade pequenas. Mas diversas vezes recebemos convites para desfilar em avenidas e tivemos que criar fantasias maiores, mostrando vários animais diferentes. E é muita gente que quer participar”, revela.

Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do G1 Pará no (91) 98814-3326.

 

 

 

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