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Boxe pode ficar de fora dos próximos Jogos Olímpicos

 
 - Para Ulysses Pereira, todo o conceito de ciclo olímpico se perderá caso a decisão seja levada adiante  Foto: Irene Almeida
Para Ulysses Pereira, todo o conceito de ciclo olímpico se perderá caso a decisão seja levada adiante Foto: Irene Almeida

Uma das mais antigas modalidades olímpicas corre o risco de ficar de fora das Olimpíadas de Tóquio, no Japão. A Aiba (Associação Internacional de Boxe Amador) está sendo alvo de investigação por corrupção e, no fim de janeiro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) suspendeu o apoio financeiro à federação depois que a entidade promoveu Gafur Rakhimov ao cargo de presidente interino, assim que Franco Falcinelli, ex presidente, saiu da gestão.

Franco entrou em novembro do ano passado, assim que o taiwanês Ching-Kuo Wu renunciou. Wu passou 11 anos na presidência da Aiba e, após começar a ser investigado por suspeita de corrupção, renunciou ao cargo. Falcinelli assumiu, mas o que parecia ser o fim de uma crise acabou se transformando apenas no início de um processo ainda maior. Mês passado, a Aiba foi surpreendida pela decisão de Falcinelli de abandonar o seu cargo, deixando a entidade para seu vice, o Gafur Rakhimov, que assumiu no último dia 27.

Uma dívida bancária astronômica, gerada principalmente para financiar a liga de boxe profissional (WSB), vinculada à Aiba, no valor de 10 milhões de dólares, se tornou impagável com recursos próprios. Isso fez com que a entidade fosse acionada na justiça e acabasse por derrubar Wu, acusado de má administração. Só que Gafur, atual presidente, é descrito pelas autoridades dos Estados Unidos como um dos principais criminosos do Uzbequistão, tendo como principal envolvimento o comércio de heroína.

Ao assumir a Aiba, Gafur também assumiu a responsabilidade de reverter a ação dos 10 milhões na justiça. “Ninguém tem nada de prova contra ele, mas Gafur é tachado como um dos mais mafiosos do comércio de heroína, tanto que ele nem vive mais no país dele, e sim em Dubai. Eu imagino que isso foi costurado nos bastidores, porque ele, entre todos os vices, é o único que conseguiria reverter o empréstimo no banco, tanto que já existia uma ação do próprio banco pedindo a falência da Aiba e, três dias depois que ele assumiu, a Aiba conseguiu tirar da justiça a ação”, explicou o supervisor e instrutor da Aiba, Luiz Claudio Boselli, em entrevista ao DIÁRIO, por telefone.

Rakhimov foi a chave para renegociar o empréstimo de 10 milhões de dólares do principal credor do órgão governante problemático, o Benkons, uma empresa do Azerbaijão, mas isso não minimiza sua imagem diante do COI, em que o presidente do comitê, o alemão Thomas Bach, diante do caos em um dos esportes mais tradicionais do movimento olímpico, optou por lançar um alerta claro nos últimos dias: “ou a entidade entra nos trilhos até abril ou o boxe ficará de fora dos Jogos de 2020, em Tóquio”.

Mas as questões financeiras ou de governança também não são os únicos problemas da Aiba diante do COI. A modalidade é a mais atrasada na diretriz de equiparar o número de provas masculinas e femininas; além disso, o boxe amador não consegue promover um calendário internacional. Além do mundial, que é realizado a cada dois anos, existem apenas as competições regionais, que não são tão atraentes assim.

Sonhos dos atletas podem ir por água abaixo

A possibilidade do Boxe não entrar nas Olimpíadas assusta quem vive o dia a dia dentro de um ringue, diante dos sonhos de tantos atletas. O treinador Ulysses Pereira, que ficou por nove anos na seleção brasileira e participou das Olimpíadas de Atlanta e Sidney, avalia toda essa articulação diante da AIBA.

“O boxe é uma das modalidades mais antigas dentro de uma Olimpíada e com a informação que eu tive, conversando com o Boselli, que foi presidente da confederação e esteve comigo em duas Olimpíadas, existe mesmo a possibilidade do boxe sair por causa do atual dirigente (Gafur Rakhimov). O boxe tem muita força e é uma das modalidades que mais vende em uma Olimpíada, como vende no mundo inteiro. Até então não tem nada definido, mas a possibilidade é verdadeira”, explica Ulysses.

A frustração é de toda comunidade de pugilistas, e Ulisses se preocupa ainda com os atletas que vivem diariamente o ciclo olímpico. “Uma situação dessas é preocupante porque frustra um atleta. Um ciclo olímpico, para um atleta veterano, dura quatro anos. Um ciclo para um novato, são oito anos. O Robson Conceição, por exemplo, participou de três Olimpíadas e na terceira foi onde ele estava no top dele, pronto para ser campeão. Imagina para quem está começando agora ter de esperar mais quatro anos ou um veterano que queria mais quatro. Isso pode frustrar e muito um atleta olímpico, que acaba não querendo mais seguir a carreira e vai para o profissional, porque ele não vai mais querer esperar quatro anos parado”, ressaltou Ulysses.

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