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Fibra de açaí pode ser usada na produção de painéis

 
 -   Foto: Cláudio santos/Ag. Pará
Foto: Cláudio santos/Ag. Pará

Cerca de 16 mil toneladas de resíduo do açaí processado são descartadas diariamente na Região Metropolitana de Belém (RMB). Apenas na Grande Belém, são comercializadas mensalmente cerca de 30 toneladas de açaí, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“É desperdício de uma matéria-prima rica que poderia estar sendo utilizada para a produção de painéis de fibras de média densidade. É uma fortuna que diariamente jogamos no lixo”, diz o biólogo e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Antônio Mesquita. Ao desenvolver seu doutorado em Engenharia dos Recursos Naturais, na Universidade Federal do Pará (UFPA), Mesquita pensou em reaproveitar esse resíduo gerando sustentabilidade para a economia local. Após quatro anos de estudos, o pesquisador desenvolveu o Ecopainel.

Produzido a partir da fibra do caroço do açaí, o Ecopainel é uma alternativa ao chamado “MDF” confeccionado em fibras de madeira. Após ser reaproveitada, a fibra do caroço passa por processos tecnológicos até chegar ao formato comercializado, um Ecopainel de partículas de Média Densidade (MDP). “As fibras passam por um tratamento que inclui a lavagem, moagem, secagem, prensagem, e a mistura com a resina de óleo de mamona, até alcançar o formato”, explica Antônio.

O Ecopainel pode ser utilizado em segmentos como a movelaria, construção civil, isolamento acústico, entre outros. “Fizemos ensaios de acordo com as normas brasileira-ABNT e internacionais, e chegamos à conclusão de que o produto tem condições técnicas de competir no mercado de painéis, ao lado de grandes fornecedores como a China. O produto é muito versátil e resistente”, garante.

Segundo o pesquisador, a produção de painéis de partículas de resíduos agroindustriais é uma alternativa que agrega valor a esse subproduto, atendendo à crescente demanda da indústria de painéis de madeira, além de contribuir para a diminuição do uso da madeira “reduzindo a pressão ambiental das florestas nativas da Amazônia, reduzindo os custos de produção do painel a taxa de emissão de carbono”.

SOCIAL

Além de inserir a Amazônia no mercado dos painéis modulados aquecendo a economia de forma sustentável, o objetivo é de que o Ecopainel trabalhe com as perspectivas de inserção social na região. “A ideia é criar uma cooperativa sustentável com as próprias comunidades tradicionais que trabalham com a coleta e produção do açaí, para fazer a extração da fibra do caroço do açaí”, explica Antônio.

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