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Sem dinheiro para comprar gás, famílias improvisam fogões a lenha

 
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A 1,3 quilômetro do centro do poder no Brasil, Clécia Batista, 28 anos, improvisa um fogão a lenha no quintal do barraco de madeira onde vive com dois irmãos, a mãe e o filho. No local onde é preparada a alimentação dos familiares, uma lata de tinta sustenta as panelas. Perto dela, um fogão de seis bocas enferruja. Ele nem sequer foi estreado desde que a família o ganhou de um amigo, há um ano.

Nesse período, as ripas de madeira encontradas em entulhos nos arredores da casa se tornaram alternativa de combustível para Clécia cozinhar. Isso porque uma política de preços provocou seis altas seguidas e, em 2017, gerou a maior elevação no valor do botijão de gás nos últimos 15 anos. Como consequência, o utensílio foi cotado em até R$ 90 no Distrito Federale se tornou artigo de luxo para a família da desempregada e outras que vivem em situação de pobreza.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do botijão de 13kg, em dezembro de 2017, chegou a R$ 66,53 no país, após alta de 16,39% em relação ao mesmo período do ano anterior, descontada a inflação. No Distrito Federal, o valor varia de R$ 58 a R$ 90.

“Nem lembro a última vez que compramos botijão”, contou Clécia, enquanto cozinhava feijão para o almoço e para o jantar – a família não tem refrigerador e, por isso, precisa consumir o alimento no mesmo dia, antes que estrague. “Preparamos o máximo de comida possível a cada vez, para a lenha durar mais”, explica.

Enquanto Clécia cuida do filho Vitor Luis Batista, 8 meses, e do barraco, a mãe e os dois irmãos saem às ruas, à procura de recicláveis. Latas de metal e garrafas PET geram a única renda da família.

Ganho R$ 20, R$ 30 por semana e já vou ao mercado comprar comida. Nem penso em botijão. Até porque tenho medo de me roubarem"

Rozemere Batista, mãe de Clécia

Além do medo de roubo, a família teme acidentes. Principalmente, porque Vitor Luis engatinha. Nos próximos meses, ele deve ensaiar os primeiros passos e, depois que souber andar, vai elevar a preocupação da mãe sobre o risco de queimaduras no fogão a lenha. “Também tenho medo de que meu filho fique doente por respirar a fumaça do fogão, ele é muito novo”, diz.

A 19 quilômetros do local, em invasão no Setor de Chácaras Santa Luzia, na Estrutural, o ajudante de pedreiro José Nascimento, 33, vive drama semelhante. Desempregado há um ano, ele sustenta a mulher e três filhos, de 12, 11 e 1 ano e 7 meses, com dinheiro recebido em troca de “bicos”. Não sobra para comprar o gás. Por isso, improvisou, no chão, um fogão a lenha.

Em uma lata de tinta, nos fundos da casa, ele encaixou a resistência de uma churrasqueira elétrica na estrutura que sustenta as panelas. Cozinhar no local é um perigo, por causa da caçula da família, Isabella. José, então, recorre a um vizinho para evitar usar a engenhoca e expor a filha ao risco de acidentes.

“Nosso vizinho da frente mora sozinho. Ele me empresta botijão, e cozinhamos para nós e para ele”, disse. José conta também que, há um mês, comprou o utensílio, mas, após alguns dias de uso, o aperto financeiro e a necessidade de alimentar a família falaram mais alto. O desempregado, então, vendeu o botijão para comprar comida.


Metrópoles

 

 

 

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