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Taiwan aprova lei para apagar símbolos de ditador Chiang Kai-shek

Estadista que transferiu a capital da república chinesa de Pequim para a ilha foi responsável por execuções e perseguições contra opositores. Lei marcial vigorou de 1949 até 1987, mais de uma década após sua morte.

 
 -  Turista passa por estátuas de Chiang Kai-shek em parque dedicado ao ditador na cidade de Taoyuan, no norte de Taiwan  Foto: Sam Yeh/AFP
Turista passa por estátuas de Chiang Kai-shek em parque dedicado ao ditador na cidade de Taoyuan, no norte de Taiwan Foto: Sam Yeh/AFP

Os símbolos criados em homenagem ao ex-ditador nacionalista de Taiwan Chiang Kai-chek (1887-1975) serão retirados da ilha após a aprovação de uma lei que pretende fechar um capítulo de seu passado autoritário.

Os deputados taiwaneses aprovaram na terça-feira (5) uma lei sobre a "justiça transicional", que prevê a retirada obrigatória de todos os símbolos de homenagem e dos monumentos dedicados ao polêmico dirigente.

Estátuas serão derrubadas e os nomes de muitas ruas e escolas serão modificados.

A lei também abre o caminho para uma investigação exaustiva sobre o "terror branco" ocorrido em Taiwan a partir de 1949, quando os nacionalistas do partido Kuomintang fugiram da China continental após sua derrota para as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung.

De 1949 a 1987, quando foi revogada a lei marcial, milhares de pessoas consideradas hostis ao governo foram torturadas e assassinadas sob o mandato de Chiang e de seu filho.

Chiang Kai-shek era presidente da República da China quando, ao fim da guera civil no país, Pequim foi tomada pelos maoístas. Ele transferiu, para Taipei seu governo e nunca deixou de reivindicar a legitimidade sobre todo o território chinês - posição que Taiwan sustenta até hoje. Pequim, por sua vez, também considera Taiwan está em seus domínios, sendo tratada como uma província rebelde.

Perseguições e execuções

Taiwaneses lutam há muito tempo para limpar os nomes das pessoas que foram presas injustamente e das vítimas executadas, assim como para que os autores dos crimes sejam denunciados publicamente.

O governo autoritário de Chang Kai-chek deve ser "expurgado de toda legitimidade" porque viola a liberdade e a democracia, afirma a nova lei.

"Com este objetivo, instituições, escolas, edifícios e espaços públicos não poderão contar contar com símbolos comemorativos do reinado autoritário", destaca o texto.

"Os símbolos e os sinais relacionados a este deverão ser retirados, renomeados ou eliminados".

A presidente Tsai Ing-wen deve ratificar a lei nas próximas duas semanas.

 

 

 

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