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Médicos ainda avaliam se aluna que ficou paraplégica após ser baleada por colega em Goiânia pode voltar a andar

Isadora de Morais, de 14 anos, sofreu uma lesão na medula espinhal e, inicialmente, profissionais disseram que quadro era irreversível. Estudante que a feriu segue apreendido.

 
 -  Médicos do Crer dizem que ainda é cedo para avaliar se Isadora de Morais, baleada por colega, pode voltar a andar  Foto: Vitor Santana/G1
Médicos do Crer dizem que ainda é cedo para avaliar se Isadora de Morais, baleada por colega, pode voltar a andar Foto: Vitor Santana/G1

A equipe médica do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) ainda avalia se a estudante Isadora Morais, de 14 anos, que ficou paraplégica após ser baleada por um colega no Colégio Goyases, em Goiânia, vai conseguir voltar a andar. Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (13), o diretor geral da unidade, Válney Luís da Rocha, disse que esse diagnóstico só poderá ser definido após o resultado de exames e avaliação da evolução dela ao tratamento.

O médico explicou que o quadro dela está estável e foi retirada uma sonda vesical para controlar uma infecção urinária. "Ainda é cedo para fazer uma avaliação se ela vai voltar a andar. Isso nós só vamos conseguir definir após ver como ela vai reagir ao tratamento e do grau de lesão da medula, que será avaliado com novos exames", afirmou.

Antes de ser transferida para o Crer, na última quinta-feira (9), a estudante passou 21 dias internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). A adolescente teve uma lesão na medula espinhal, no nível da 10ª vértebra torácica. Com isso, os movimentos dos membros inferiores ficaram comprometidos. Os médicos que a atenderam na unidade avaliaram que a paralisia é definitiva.

Rocha explicou que o tratamento de Isadora no Crer deve durar cerca de um ano. "A princípio ela vai ficar internada 30 dias. Já começamos o processo de reabilitação com ela já no leito. Em dois ou três dias, com resultados de alguns exames ambulatoriais, ela poderá passar para o ginásio, onde toda essa terapia será intensificada. Periodicamente, o protocolo do tratamento será reavaliado para garantir a maior recuperação possível", disse o diretor geral.

O médico explicou, ainda, que não há previsão de retirada do projétil que ficou alojado na entre a nona e décima vértebra. "O projétil não danificou o osso, então não é preciso fazer estabilização no local. Não é uma alternativa a retirada desse projétil, pois ele não vai causar mais danos", completou.

Médicos do Crer dizem que ainda é cedo para avaliar se Isadora de Morais, baleada por colega, pode voltar a andar (Foto: Vitor Santana/G1) Médicos do Crer dizem que ainda é cedo para avaliar se Isadora de Morais, baleada por colega, pode voltar a andar (Foto: Vitor Santana/G1)

Médicos do Crer dizem que ainda é cedo para avaliar se Isadora de Morais, baleada por colega, pode voltar a andar (Foto: Vitor Santana/G1)

Esperança

Apesar de ainda abalada, a mãe de Isadora, Isabel Rosa dos Santos, diz que segue esperançosa na recuperação da filha. "A gente nunca acredita que isso possa acontecer com o filho da gente, mas acredito que ela vai se recuperar, que ela possa nos surpreender", afirmou.

Isabel contou que a filha está bem, mas oscila momentos de coragem com a dúvida. "Ela passa por altos e baixos. Tem hora que ela está confiante de que vai andar, em outros momentos ela fica se questionando do porquê isso ter acontecido com ela", relatou.

Porém, a família tenta se fortalecer para ajudar na recuperação da estudante. "Acreditamos muito que Deus pode nos dar forças. Também estamos recebe do apoio de amigos, familiares e muitas pessoas que nem conhecemos, e isso dá um ânimo maior", completou.

Pais de Isadora Morais, que ficou paraplégica após ser baleada por colega, dizem que acreditam que filha possa voltar a andar, em Goiânia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1) Pais de Isadora Morais, que ficou paraplégica após ser baleada por colega, dizem que acreditam que filha possa voltar a andar, em Goiânia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)

Pais de Isadora Morais, que ficou paraplégica após ser baleada por colega, dizem que acreditam que filha possa voltar a andar, em Goiânia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)

O crime

Isadora e outros cinco adolescentes foram baleados no último dia 20 de outubro, em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera. Os tiros foram disparados por um colega de classe, de 14 anos, no intervalo entre duas aulas. Os alunos João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, ambos de 13 anos, morreram ainda no colégio.

  • Veja o que se sabe sobre tiros em colégio de Goiânia

A adolescente e os colegas Marcela Macedo e Hyago Marques foram levados ao Hugo logo após serem baleados. Hyago foi o primeiro a receber alta da unidade, no dia 22 de outubro. Marcela foi liberada na última sexta-feira (3).

Lara Fleury, outra aluna que ficou ferida e estava internada no Hospital dos Acidentados, recebeu alta médica no dia 24 de outubro. No último dia 11, ela voltou a ser internada e passou por uma cirurgia para retirar um pino colocado em um dos braços.

João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros por colega em escola (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros por colega em escola (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros por colega em escola (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Autor dos tiros

Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos tiros disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. O menor foi apreendido logo após os tiros e segue em um centro de internação.

A mãe do atirador é investigada em um inquérito na Polícia Militar. Segundo o assessor de imprensa da corporação, tenente-coronel Marcelo Granja, ela pode ser ouvida em até 60 dias no procedimento aberto para apurar o uso da arma da PM no ataque.

Estudante que atirou contra a turma segue apreendido em centro de internação, em Goiás (Foto: Vitor Santana/ G1) Estudante que atirou contra a turma segue apreendido em centro de internação, em Goiás (Foto: Vitor Santana/ G1)

Estudante que atirou contra a turma segue apreendido em centro de internação, em Goiás (Foto: Vitor Santana/ G1)

Lembranças

Ao sair do Hugo, Isadora disse que estava com saudades da escola e pediu que os colegas torcessem pela recuperação dela. "Eu estou muito feliz, porque eu estou recebendo alta. Uma nova etapa da minha vida está começando. Obrigada, gente! Obrigada por tudo! Estamos juntos sempre!", disse Isadora.

Ela contou ainda que não consegue se esquecer do momento em que o colega de sala começou a atirar dentro da escola. "No começo, eu achei que fosse uma bomba. Mas depois a gente foi ver o que era na verdade. O menino tinha sacado a arma para a gente, e aí eu fiquei muito assustada, não deu tempo de correr", disse.

No último dia 25 de outubro, a mãe de Isadora, Isabel Morais, disse que a filha tinha pedido "as pernas de volta" aos médicos que a atendem no Hugo. "Ela me disse: 'Mamãe, morri e parecia que estava em um sonho e acordei de novo. Fala para os médicos que quero minhas pernas de volta"', disse Isabel, emocionada.

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Tiros Colégio Goyases, Goiânia - último (Foto: Arte/ G1) Tiros Colégio Goyases, Goiânia - último (Foto: Arte/ G1)

Tiros Colégio Goyases, Goiânia - último (Foto: Arte/ G1)

 

 

 

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