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'''Há um intenso renascimento cultural no Pará''', diz Felipe Cordeiro, que lança o DVD '''Brea Époque'''

Para o artista, o Pará é ''um polo de nova brasilidade, uma espécie de renovação do caráter antropofágico da cultura brasileira''. Ele lança neste domingo, 12, o primeiro DVD de sua carreira.

 
 -  'Brea Époque', primeiro DVD de Felipe Cordeiro, versa sobre os ritmos de Belém e a efervescência cultural da cidade  Foto: Divulgação
'Brea Époque', primeiro DVD de Felipe Cordeiro, versa sobre os ritmos de Belém e a efervescência cultural da cidade Foto: Divulgação

Belém é o nascedouro de Felipe Cordeiro. Não só sua cidade natal, mas o território que desenhou sua trajetória musical e forjou as dimensões mais marcantes da sua sonoridade ritmada e tropical. O registro dessa história é o fio condutor do DVD “Brea Époque”, o primeiro da carreira de Cordeiro, lançado neste domingo (12).

Intercalando um show gravado ao vivo com cenas na capital paraense, a narrativa é guiada pelo artista com discussões sobre brega, lambada, diversidades musicais e o jeito próprio de fazer e pensar a música brasileira. No DVD, as conexões sonoras são feitas a partir dos encontros com a cantora Tulipa Ruiz, Siba, Kassin e o pai Manoel Cordeiro, que fazem participações especiais no projeto, patrocinado pela Natura Musical.

Brea é um termo popular utilizado pelos paraenses que indica suor, a pele melada, “breada”. O clima quente e úmido, típico da região Norte, provoca sempre a “brea” no corpo. O nome “Brea Époque” é uma provocação com a Belle Époque, período de um movimento cultural forte, elitista e europeizado no começo do século XX e que no Brasil foi bastante marcante na Amazônia, datado como uma época de renascimento cultural. Num novo momento, “Brea Époque” transpira uma identidade própria, um perfil horizontal, um movimento cultural quente que emerge da periferia para o centro, que traz a inclusão do tecnobrega, guitarrada, lambada e carimbó. É a afirmação de outro renascimento cultural no Pará.

Em imagens, sons e lirismo, o DVD apresenta o sotaque musical e o vigor rítmico das criações artísticas de Felipe Cordeiro. Conhecido pela mistura da tropicalidade latino-americana com a música pop brasileira, no qual se conectam guitarra, beats e letras de canções, Felipe está entre os principais nomes da cena musical contemporânea paraense e do Brasil. A sonoridade definida pelo artista como Pop Tropical traz referências da guitarrada, brega, carimbó, cúmbia, música digital, vanguarda paulista e rock.

"Brea Époque", primeiro DVD de Felipe Cordeiro, versa sobre os ritmos de Belém e a efervescência cultural da cidade (Foto: Divulgação)

No DVD, o show mescla músicas dos álbuns Kitsch Pop Cult (2012) e Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor (2013), além da canção “Virou”, parceria com Tulipa Ruiz, gravada no álbum “Dancê”, da cantora. O final, cantado em coro com a plateia calorosa, é celebrado com “Piranha”, de Alípio Martins, numa versão pesada e psicodélica feita especialmente para o documentário, que tem direção de Vladimir Cunha.

O show de lançamento do DVD será na Casa Natura Musical, em São Paulo, no baile Domingueira Jambu com a participação de dois convidados: a dupla Figueroas, conhecida como a rainha das lambadas, e o grupo de danças paraenses Flor de Jambu. O show também conta com a participação do pai de Felipe Cordeiro, o mestre da lambada Manoel Cordeiro, e banda formada por Betão Aguiar (baixo), Marcio Teixeira (bateria) e Túlio Bias (percussão).

Confira a entrevista exclusiva de Felipe Cordeiro ao G1, na qual o artista comenta sobre sua carreira e celebra o lançamento do DVD:

1. Felipe, o DVD resgata parte da tua trajetória musical. Nesse sentido, gostaria que você comentasse sobre a "virada" na tua proposta musical: tu tocavas os medalhões da MPB, e se dedicava muito mais às melodias, acompanhando outros artistas, antes de assumir o vocal e uma vertente sonora voltada aos ritmos dançantes do Pará.

Eu comecei a compor bem novo e participando de festivais da canção. Estava aprendendo a tocar, compor e como funciona a o mundo da música. Eu estava bem aberto e ao mesmo tempo focado numa música mais ligada a MPB tradicional. À medida que o tempo foi passando sucederam renovações críticas e existenciais, fui me abrindo ainda mais e buscando uma singularidade no meu som. Aí eu encontrei em casa esse caminho, fui retomar tudo que meu pai Manoel Cordeiro tinha feito.

Foi no meu próprio DNA que se deu essa virada. Descobri que podia partir dali pra buscar minha contemporaneidade dentro da música brasileira. Isso coincidiu com minhas experiências no teatro e minha vontade de tomar o palco por outra perspectiva, explorando voz, fala e uma dicção moderna.

Nesse momento eu comecei a conceber o “Kitsch Pop Cult”, disco que sintetizou pela primeira vez de forma clara, as diversas vertentes do que se produzia no Pará em termos de música contemporânea.

2. Esse conceito de "Bréa Époque" surgiu em qual situação?

“Brea Époque” nasceu de uma leitura de um artigo do Paes Loureiro, onde ele observa que no Pará de hoje acontece um renascimento cultural mais intenso do que na Belle Époque, com a diferença de que neste último o caráter colonizador se sobressaia, enquanto que nos tempos atuais a descoberta de um ethos verdadeiramente paraense inspira algo mais transformador, colocando nossa cultura como um polo de potente nova brasilidade, uma espécie de renovação do caráter antropofágico da cultura brasileira. Isso se observa na nossa música, culinária, comportamento e com tendência a se espalhar com mais força pelas outras vertentes da arte e entretenimento.

Portanto, Brea Époque é uma provocação com o termo Belle Époque, destacando a horizontalidade rizomática e popular do movimento atual. Meu DVD é um filme em tom documental dirigido pelo Vladimir Cunha e que é um ensaio sobre algumas dessas ideias e sentimentos e de como se relacionam com minha forma de fazer música dentro e fora do Pará.

 

 

 

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