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Milhares de andorinhas invadem área urbana de Vilhena; saiba o que está por trás do fenômeno

Há cerca de um mês, número incomum da espécie se espalhou pela cidade, e fato vem chamando atenção da população. Biólogo explica que pássaros fogem de inverno rigoroso.

 
 -  Andorinhas fazem do céu de Vilhena um ponto de encontro  Foto: Aline Lopes/G1
Andorinhas fazem do céu de Vilhena um ponto de encontro Foto: Aline Lopes/G1

Nas árvores, postes, fios de energia elétrica, antenas de tv... Pelo céu, por onde se olha pela cidade de Vilhena, no Cone Sul de Rondônia, não restam dúvidas: as andorinhas voltaram! Elas, que não apareciam no município em um número tão grande desde 2013, retornaram há cerca de um mês, e vem chamando a atenção da população.

A doméstica Sirlei Tibias, de 47 anos, disse que é impossível não perceber a presença da espécie na cidade, já que muitas resolveram passar a estadia nas árvores do quintal da casa dela.

Ela conta que todos os dias, lá pelas 17h30, as andorinhas aparecem e pousam nos galhos. “Não me incomodo. Acho-as tão bonitinhas com aquela cauda em formato de tesourinha”, disse.

A babá Maria de Jesus Lopes Santiago, de 50 anos, também conversou com a reportagem e narrou que nas últimas semanas, enquanto cuidava de uma criança de dois anos na varanda de uma residência na Avenida Tancredo Neves, centenas de andorinhas sobrevoaram a propriedade. “Elas vão em direção à prefeitura. É tanto que até assusta”, declara.

É que o local, com muitas árvores próximas, se tornou um ponto de pouso dos passarinhos. O quintal do Ministério Público Estadual é um deles, aliás, o ponto preferido dos pássaros.

É tanta andorinha aglomerada no local que é possível ouvir quando os animais batem as asas. Porém, as fezes delas impregnaram o ar do ambiente e a chuva que vem caindo na cidade, tem piorado a situação, dificultando o trabalho de limpeza.

É tanto mal cheiro que os funcionários estão evitando trabalhar com as janelas abertas. O promotor Fernando Franco Assunção informou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) chegou a recomendar que podassem as árvores.

Porém, ainda não fizeram isso, pois acreditam que as andorinhas em breve irão partir.

Fenômeno

O biólogo Flávio Terassino explica que nesse período do ano as andorinhas fogem do inverno rigoroso no Canadá ou Estados Unidos e migram para países do hemisfério sul. Nessa longa viagem, elas passam pelo Brasil e, normalmente, a Amazônia é um dos principais pontos de paradas.

“A espécie tem esse comportamento migratório em busca de alimentos e também para se reproduzir. Um fato curioso é que elas caçam e se alimentam no ar, e podem comer mais de 100 insetos por dia”, enfatiza.

De acordo com o Terassino, o Ministério Público acertou em relação à partida das aves. A maioria deve partir da cidade em algumas semanas, pois com a chegada do frio na região, elas voam em direção ao Rio Grande do Sul.

“Assim, as andorinhas devem ficar por lá até março do próximo ano. Depois, retornam para o hemisfério norte e repetem o caminho”, disse.

 

 

 

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