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Hollywood vê escândalos por assédio sexual como ponto de partida para mudança

Diretores acreditam que denúncias podem ser começo de reforma na cultura do entretenimento.

 
 -  Harvey Weinstein foi o ponto inicial do escândalo de abuso sexual em Hollywood  Foto: Charles Sykes/Invision/AP
Harvey Weinstein foi o ponto inicial do escândalo de abuso sexual em Hollywood Foto: Charles Sykes/Invision/AP

Diretores de cinema adotaram um tom de otimismo sobre a sequência de escândalos de assédio sexual em Hollywood, considerando um momento "positivo" que pode acabar com décadas de abuso e servir de exemplo para outros setores.

Na noite de sábado (11), vários profissionais disseram à AFP, na festa de gala anual do Governors Awards, que a enxurrada de acusações contra Harvey Weinstein, Kevin Spacey e outros pode, enfim, ser o ponto de partida de uma reforma na cultura do entretenimento e proteger futuras estrelas.

O director dos filmes da franquia "Guardiães da Galáxia" da Marvel, James Gunn, avaliou como "algo muito positivo para a indústria".

"É algo que existiu por muito tempo. É algo que detinha o ritmo de trabalho, prejudicava a criatividade e o fazer dinheiro, e simplesmente não é bom para nós", afirmou, antes da cerimônia de entrega de Oscar honorário ao veterano canadense Donald Sutherland por uma carreira de seis décadas e mais de 100 filmes.

"Muitas pessoas em Hollywood são, realmente, pessoas terríveis, e isso está vindo à luz", acrescentou.

Depois das revelações sobre Weinstein, o outrora poderoso produtor acusado de assédio sexual e até de estupro por várias mulheres, as notícias não pararam de surgir, envolvendo ainda astros como Dustin Hoffman e Richard Dreyfuss.

Em conversa com a AFP, o diretor de "A chegada" e Blade Runner 2049", Dennis Villeneuve também disse ver "algo muito positivo" no fato de as vítimas de abuso finalmente estarem rompendo seu silêncio.

"Hollywood é um espelho da sociedade e penso que o que acontece aqui, espero, vai se espalhar pela sociedade, porque essas coisas não podem acontecer", afirmou.

"Estamos em 2017. Não posso acreditar que isso continue acontecendo agora. O que eu escuto é que as pessoas estão tristes e, ao mesmo tempo, há um sentimento de alívio agora que se tornou público", comentou.

Alguns esperam que as revelações no mundo artístico se repitam nos corredores do poder.

"Com esperança, algo bom sairá disso, e é que as pessoas que estão em posições de poder não poderão sentir que podem sair por aí sendo intolerantes, praticando maus-tratos, sendo predadores e abusando do poder", disse o ator Andy Serkis, mais conhecido por seus personagens digitais em "O Planeta dos Macacos" e "O Senhor dos Anéis".

Na cerimônia, realizada no salão Ray Dolby de Hollywood, o roteirista e diretor independente Charles Burnett, o diretor de fotografia Owen Roizman e os cineastas Agnès Varda e Alejandro G. Iñárritu também receberam Oscars honorários.

 

 

 

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