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Integrantes da banda HC-137 relembram os 30 anos do maior acidente radiológico do mundo; veja vídeo

Em entrevista ao G1, músicos falam dos fatos marcantes da história da banda, precursora do movimento punk rock em Goiânia, que tem nome inspirado no acidente com o césio-137.

 

Eles tinham entre 15 e 16 anos na época do maior acidente radiológico do mundo, ocorrido há 30 anos, em Goiânia, e utilizaram o rock para colocar para fora a voz de protesto sobre o que vivenciavam. O baixista Flávio Diniz, o guitarrista Luciano Xavier e o baterista Aurélio Dias não fizeram parte da fundação da Banda HC-137 (Horrores do Césio-137), mas se lembram bem da história do grupo (veja vídeo acima).

O G1 Goiás publica uma série de reportagens especiais sobre os 30 anos do acidente com o césio-137 em Goiânia.

A banda foi fundada por Cláudio Antônio de Castro em 1988, um ano após o acidente com o césio, e fez shows por 10 anos consecutivos, até sua morte, em 1998. Ao longo de sua história, reuniu composições que lembraram a dificuldade das vítimas da contaminação, mas também outros problemas sociais da capital.

“Estávamos em um momento difícil, que era confuso para nós também, que não sabíamos o que estava acontecendo, era muito estranho aquilo. Havia todo um descaso das autoridades em relação ao acidente. O nome foi uma grande sacada do Cláudio, de colocar Horrores do Césio-137. Ao mesmo tempo existia uma crítica ao uso da energia nuclear”.

“Na Europa surgiam bandas de rock também nesta linha, diante do possível conflito nuclear que surgia naquela época, com resquícios da Guerra Fria”, contou Flávio.

O acidente com o césio em Goiânia aconteceu um ano antes da banda começar, no dia 13 de setembro de 1987. A tragédia começou quando dois jovens catadores de materiais recicláveis abriram um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado no Centro de Goiânia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoraram que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo.

Segundo o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), das 112 mil pessoas examinadas na época do fato, 249 tiveram algum tipo de contaminação e quatro morreram. A contaminação atingiu ainda 45 locais públicos e demandou monitoramento de mais de 2 mil km de malha viária.

A banda

Do trio que hoje representa a HC-137, Flávio pertenceu à segunda formação mais antiga da banda, entre 1989 e 1990. Aurélio e Luciano entraram juntos no grupo, em 1991. O baterista e vocal do grupo conta que a banda, além de ter levado ao cenário nacional os problemas sociais vividos em Goiás, foi uma das precursoras do movimento punk rock e do cenário underground na capital.

“Quando eu comecei a tocar na banda, eu já estava envolvido e querendo fazer um som de protesto. Chamei o Luciano, e nós fomos para um primeiro ensaio com o Cláudio. A gente começou com o punk, o protesto, e fomos fazendo um punk rock. Esta formação durou cinco anos, em que gravamos dois vinis e registramos esta indignação que a gente tinha na época”, revelou.

Luciano lembrou que Cláudio foi responsável pelo primeiro selo em Goiânia, local onde foram gravados dois dos discos da HC. Ele conta que a história da banda se mistura com a o histórico dos principais festivais de música da cidade.

“A gente ensaiava muito, estávamos muito em cima, dedicados para poder gravar os discos. A HC, apesar de ser considerada punk, no meio underground foi uma banda que tocou nos principais festivais, inclusive no primeiro Goiânia Noise. Além dos festivais de música em Goiânia, tocamos fora também, foi uma história muito boa”, contou.

Membros de diferentes gerações da HC-137 se reúnem para show em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1) Membros de diferentes gerações da HC-137 se reúnem para show em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)

Membros de diferentes gerações da HC-137 se reúnem para show em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)

Discografia da HC-137

  • 1989 - Lixo Radioativo: Fita demo, com a temática punk, abordava as mazelas políticas e os problemas sociais;
  • 1991Nas coxas: Disco de vinil gravado em 1991 e lançado em 1992 com 9 músicas gravadas em Goiânia;
  • 1993Made in GO: Disco de vinil com 16 músicas;
  • 2004Do Passado Apenas O Futuro: CD com seis músicas;

Preconceito X Protesto

Aurélio Dias disse que a banda ficou marcada com a história do césio não só pelo fato de levar o nome do acidente radiológico, como também pelas próprias histórias vividas pelos integrantes naquela época. Ele afirma que amigos da família dele chegaram a pedir para que eles se mudassem de Goiás após o ocorrido.

“Uma amiga da minha mãe, que morava em São Paulo, ligou pra ela falando ‘vocês podiam sair daí, para vir para cá agora’. Do jeito que estava sendo passado para fora do estado, era como se fosse uma Chernobyl. Até o termo ‘radiológico’ não era algo comum, estava sendo tratado como acidente nuclear, depois é que as coisas começaram a se esclarecer e, mesmo assim, ainda estavam obscuras”, contou.

O baixista Flávio relembra que, além de ter de conviver com o preconceito dos moradores de outros estados, havia a propaganda “apaziguadora” do poder público. Ele conta que todos estes movimentos motivaram ainda mais o som de protesto da HC-137.

“Eu tinha 15 anos, era um moleque ainda, jogava bola na rua. É difícil falar sobre isso, porque eu fui ter discernimento um pouco depois. Mas foi, de fato, um desastre. De um lado, o temor das pessoas em relação aos goianos. De outro, o poder público tentando apaziguar com campanhas querendo dizer que o acidente estava controlado. Na verdade, não foi isso que ocorreu”.

“Nós temos mortes até hoje que podem ser em decorrência ao acidente. Essa indignação ainda faz parte da força do protesto da banda, que hoje se reencontra”, disse.

Grupo foi um dos precursores do punk rock em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137) Grupo foi um dos precursores do punk rock em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137)

Grupo foi um dos precursores do punk rock em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137)

Reecontro

A banda ficou parada entre os anos de 1998, quando Cláudio morreu, até 1999, ano em que os integrantes se reuniram para fazer uma homenagem ao fundador e resolveram voltar a fazer o som da HC-137. A história continuou até 2008. A partir de então, os integrantes se reúnem a cada cinco anos, para manter viva a música construída por eles.

Desta vez, em virtude dos 30 anos do maior acidente radiológico do mundo, a banda resolveu se reunir antecipadamente, e vai fazer um show de participação no 16º Festival Vaca Amarela, no próximo dia 24 deste mês, em Goiânia.

“Nós não tínhamos noção da proporção daquele acidente, naquela época. Hoje, passados tantos anos de história, de música de protesto, vamos reunir com a mesma voz e grito punk de indignação e também saudoso pela história que a gente viveu e continua vivendo com a HC”, comentou Luciano.

HC-137 trazia à tona as mazelas sociais do acidente com o césio em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137) HC-137 trazia à tona as mazelas sociais do acidente com o césio em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137)

HC-137 trazia à tona as mazelas sociais do acidente com o césio em Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal/HC-137)

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  • Goiânia

 

 

 

 -  Membros de diferentes gerações da HC-137 se reúnem para show em Goiânia  Foto: Murillo Velasco/G1
Membros de diferentes gerações da HC-137 se reúnem para show em Goiânia Foto: Murillo Velasco/G1
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