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Pesquisadores de dança do Brasil defendem mais diálogo e menos hierarquia na universidade

Em bate-papo na Bienal, acadêmicos de diversas universidades discutiram junto ao público como a instituição contribui com o desenvolvimento dos dançarinos.

 
 -  Pesquisadores debateram sobre formação de bailarinos  Foto: Clara Rios/Divulgação
Pesquisadores debateram sobre formação de bailarinos Foto: Clara Rios/Divulgação

Em um exercício de autocrítica, teóricos da dança de diversas regiões do país estão dispostos a questionar o papel da universidade na formação dos dançarinos. Durante um bate-papo na Bienal de Dança nesta sexta-feira (15), em Campinas (SP), eles discutiram com artistas e público a necessidade de dialogar com outras realidades e permitir aos artistas trilhar seu próprio caminho.

Clique e confira a programação completa da mostra, que recebe atrações internacionais até o dia 24 de setembro.

Rita Aquino, professora na área de dança da Universidade Federal da Bahia, ressaltou a necessidade de respeitar as diferenças.

"Acho que é um desafio hoje da universidade como constituir um espaço de diferentes saberes que estejam dentro de uma possibilidade de diálogo, em contraposição aos saberes que impõem um determinado modo de ver o mundo. Isso tem a ver com a convivência, com a relação com o outro, com o reconhecimento do outro, com o respeito às diferenças", pontua.

Espetáculo 'Lago das Bicicletas' se apresenta na Bienal Sesc de Dança, em Campinas (Foto: Luiz de Abreu) Espetáculo 'Lago das Bicicletas' se apresenta na Bienal Sesc de Dança, em Campinas (Foto: Luiz de Abreu)

Espetáculo 'Lago das Bicicletas' se apresenta na Bienal Sesc de Dança, em Campinas (Foto: Luiz de Abreu)

Formação do pensamento crítico

Para que isso aconteça, é preciso dar aos estudantes espaço para refletir e se manifestar em relação à instituição de ensino. É o que pensa Cláudia Müller, uma das responsáveis pela curadoria das ações formativas da Bienal, e que também participou da discussão.

“A primeira formação é a formação do senso crítico na universidade. Um artista crítico é uma pessoa que possa se formar enquanto cidadão, alguém que está refletindo sobre o campo de trabalho o qual faz parte, que não é um técnico, não é um repetidor”, explica.

Não necessariamente a universidade precisa ser um pré-requisito para que aconteçam essas reflexões, de acordo com o dançarino Eduardo Viana, que veio do Piauí para assistir e participar das ações do festival.

Espetáculo 'Solidão Pública' é um dos destaques de engajamento da Bienal de Dança (Foto: Rodrigo Ascenção) Espetáculo 'Solidão Pública' é um dos destaques de engajamento da Bienal de Dança (Foto: Rodrigo Ascenção)

Espetáculo 'Solidão Pública' é um dos destaques de engajamento da Bienal de Dança (Foto: Rodrigo Ascenção)

Viana sentia que precisava se encaixar em algum curso superior e foi aí que tentou do jornalismo à psicologia. Após trabalhar com fotografia e até fazer parte do circo, ele percebeu, no entanto, que as experiências contam mais.

"Eu comecei a entender o que era ser artista. Hoje eu penso que eu posso fazer qualquer universidade e 'linkar' isso com a arte, mas eu tive algumas dificuldades, tive que passar por isso tudo para perceber", conta.

A bailarina Talita Florenço, que tem formação universitária pela Unicamp, concorda.

"Eu acho que a universidade pode, de alguma forma, complementar [a formação], mas eu não acho que necessariamente, para você trabalhar com dança hoje você precisa ter um repertório universitário. O papel da universidade pode ser o de mostrar possibilidades", pontua a artista.

Espetáculo 'Fall' será apresentado na Bienal Sesc de Dança em Campinas (SP) (Foto: Jose Caldeira/Divulgação) Espetáculo 'Fall' será apresentado na Bienal Sesc de Dança em Campinas (SP) (Foto: Jose Caldeira/Divulgação)

Espetáculo 'Fall' será apresentado na Bienal Sesc de Dança em Campinas (SP) (Foto: Jose Caldeira/Divulgação)

Portas abertas

De acordo com o pesquisador de dança da Universidade Federal de Uberlândia Alexandre Molina, essas possibilidades podem ampliar e diversificar a formação do dançarino, mas ele concorda que o aprendizado também pode vir de situações que ultrapassam as fronteiras acadêmicas, como a própria discussão proposta e as demais atividades oferecidas pela Bienal.

“Aqui a gente vem, vê trabalhos de outras pessoas, observa como outros artistas estão construindo os arranjos dos seus trabalhos, e isso altera o nosso modo de pensar o nosso próprio trabalho também”, pontua.

Nesse sentido, a curadora Cláudia reforça que cada dançarino é único e, a partir do conjunto de suas experiências, dentro ou fora da universidade, ele será capaz de escolher como conduzir seu trabalho.

"Com as discussões, com o estudo teórico, com a prática, eu acho que o artista consegue, ele mesmo, trilhar um caminho, de forma que ele não seja simplesmente mão de obra para esse mercado", conclui.

Espetáculo 'Dança Doente' é apresentado por grupo do Piauí (Foto: Mauricio Pkemon) Espetáculo 'Dança Doente' é apresentado por grupo do Piauí (Foto: Mauricio Pkemon)

Espetáculo 'Dança Doente' é apresentado por grupo do Piauí (Foto: Mauricio Pkemon)

Clique e confira mais destaques da Bienal de Dança

  • Campinas

 

 

 

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