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Venezuelana diz que foi xingada antes de ser agredida em RR: '''jogaram pedras e disseram para ir embora do Brasil'''

Ela, o marido e o irmão estavam juntos no momento da agressão. Imigrante foi agredida com soco e pontapé e também conta que foi mal atendida em hospital: médica disse que não tinha tempo para atender venezuelanos .

 

A imigrante venezuelana Rosalvi Gusman, de 22 anos, que foi agredida por homens com soco e pontapé em uma rua de Boa Vista, disse nesta sexta-feira (15) que antes da violência foi xingada: 'jogaram pedras e disseram para ir embora do Brasil'. Ela também conta que após a agressão foi maltratada por uma médica na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré.

A jovem relata que estava acompanhada do irmão e do marido, o também venezuelano Abraham Mercado, de 30 anos, quando foi agredida, na tarde de quinta (14), em uma rua do bairro Santa Luzia, na zona Oeste da cidade. Ela acredita que está grávida de três meses e, 24h após a agressão, ainda sente dores no corpo e está com dificuldade para andar.

O casal e o irmão da venezuelana são ambulantes e estavam vendendo produtos de porta em porta quando foram abordados pelos três agressores. Primeiro, eles xingaram as vítimas e depois jogaram pedras neles. Até o momento, nenhum dos suspeitos foi preso.

"Primeiro, um deles gritou para que gente fosse embora do Brasil. Nos xingou e pedi para ele se acalmar. Depois, outros dois homens saíram de uma casa e os três começaram a nos jogar pedras", relata.

Ela, o irmão e o marido não foram atingidos pelas pedras, mas em seguida, a venezuelana levou um soco no ombro e depois um chute nas pernas. No boletim de ocorrência, a PM relatou que ela havia sido golpeada na barriga.

Venezuelana foi levada pela PM à Maternidade de Boa Vista; ela, que suspeita estar grávida, teve sangramento após a gressão (Foto: Reprodução/Facebook/ Stives Niil Bradival) Venezuelana foi levada pela PM à Maternidade de Boa Vista; ela, que suspeita estar grávida, teve sangramento após a gressão (Foto: Reprodução/Facebook/ Stives Niil Bradival)

Venezuelana foi levada pela PM à Maternidade de Boa Vista; ela, que suspeita estar grávida, teve sangramento após a gressão (Foto: Reprodução/Facebook/ Stives Niil Bradival)

"Um dos homens me bateu no ombro e o outro de um chute nas pernas. O terceiro só nos xingou e agrediu verbalmente", relata a venezuelana.

Após as agressão física sofrida pela imigrante, ela, o marido e o irmão caminharam por duas quadras em busca de socorro. Eles dizem que apesar de várias pessoas terem testemunhado a violência, ninguém quis ajudá-los.

"Continuamos andando e pedindo socorro às pessoas que estavam na rua. Algumas viram o que ocorreu, mas não fizeram nada. Só conseguimos ajuda duas quadras depois. Uma menina nos deu água e chamamos a polícia", conta o marido da venezuelana.

Em seguida, os suspeitos voltaram a se aproximar do trio e um deles deu um tapa no boné de Rosalvi. Após todas as agressões, a venezuelana ficou bastante nervosa e assustada. Ela sentiu fortes cólicas e teve um sangramento.

A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar ao local, notou que a jovem estava sangrando. Como ela suspeita que está grávida foi levada à maternidade.

O PMs registram a ocorrência de agressão da venezuelana no 4º Distrito Policial. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil.

Médica disse que 'não tinha tempo para venezuelanos'

Após sofrer a agressão, a venezuelana conta que foi maltratada na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista. Ela afirma que uma da médica se recusou a atendê-la e ainda disse que "não tinha tempo para venezuelanos".

"A médica não conseguiu entender o que ela dizia, e afirmou que tinha dinheiro na bolsa, que não precisava e nem tinha tempo para atender 'venecas"', conta o marido da imigrante.

A vítima só conseguiu atendimento com outra médica após uma troca de plantões. Ela fez exames de gravidez, mas, segundo o próprio relato dela, a gestação não foi comprovada. Apesar do resultado negativo, ela alega que está grávida.

"Eu estou grávida de três meses. Meu ginecologista na Venezuela fez o diagnóstico da gestação", garante a venezuela que foi liberada do hospital ainda na noite de quinta.

Agora, já em casa, a imigrante diz que está com medo de voltar a ser agredida e quer voltar para o país natal. Ela está vivendo em Roraima há apenas duas semanas.

"Eu vim há dois meses, trabalhei, consegui um dinheiro e ela veio. Na Venezuela, temos carro, casa e uma loja de roupas que agora está fechada. Eu também sou estudante de medicina e falta um semestre para eu me formar. Apesar do que ocorreu, não quero ir embora daqui. Na Venezuela, a situação é muito pior", diz Abraham.

Sobre o atendimento na maternidade, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a direção da unidade não tem conhecimento do ocorrido e sugere que seja formalizada uma reclamação com mais detalhes, para que possam ser adotadas as providências necessárias.

"Além de não compactuar, a Sesau repudia qualquer manifestação de xenofobia, assim como não consente com maus tratos a qualquer paciente, independentemente de sua nacionalidade, etnia, idade, entre outras diversidades", frisa a nota.

'Caso de explícita xenofobia', avalia socióloga

Conforme a professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR) France Rodrigues, doutora em Ciências Sociais, tanto a agressão verbal contra os venezuelanos quanto a violência física contra a mulher são claramente um caso de xenofobia.

"O fato deles serem maltratrados, humilhados pela nacionalidade deles, rapidamente demonstra aquilo que é definido como xenofobia. E isso é passível de denúncia", declarou a

No entendimento da pesquisadora, as pessoas que testemunharam a violência e não prestaram socorro ao casal deveriam ser responsabilizadas, mesmo que moralmente, pelo comportamento. Para ela, as pessoas deveriam ter interrompido as agressões, chamado a polícia, ou, pelo menos, filmado o ocorrido.

"São várias ações que como seres humanos temos a obrigação de fazer para barrar isso. À medida que as pessoas encontram fortalecimento e eco desse tipo de agressão, elas vão continuar fazendo mais e mais. Então, é preciso denunciar esse tipo de covardia", afirma.

  • Boa Vista

 

 

 

 -  Venezuelana Rosalvi Gusman, 22, ao lado do marido, Abraham Mercado, 30, falou sobre agressão sofrida em rua da capital  Foto: Emily Costa/G1 RR
Venezuelana Rosalvi Gusman, 22, ao lado do marido, Abraham Mercado, 30, falou sobre agressão sofrida em rua da capital Foto: Emily Costa/G1 RR
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