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Com mordaças e mãos amarradas, artistas protestam contra apreensão de obra em museu de MS

Polícia apreendeu quadro no Museu de Arte Contemporânea Marco de Campo Grande após deputados estaduais registrarem boletim de ocorrência, alegando apologia à pedofilia.

 
 -  Artistas utilizaram máscaras simulando mordaças e fita para amarrar as mãos  Foto: Maureen Mattiello/TV Morena
Artistas utilizaram máscaras simulando mordaças e fita para amarrar as mãos Foto: Maureen Mattiello/TV Morena

Um grupo de artistas protestou, nesta sexta-feira (15), na região central de Campo Grande contra a apreensão de uma obra que estava exposta no Museu de Arte Contemporânea (Marco). A polícia apreendeu o quadro após deputados estaduais registrarem boletim de ocorrência, alegando apologia à pedofilia.

O protesto é contra censura. Reunidos na praça Ary Coelho, os manifestantes utilizaram máscaras simulando mordaças e ficaram com as mãos presas por uma fita. Alguns dos integrantes estavam com chicote como sendo ditadores e coronéis contra arte. Uma mala, que representa o dinheiro da corrupção, passava de mão em mão entres aqueles que mandam e são investigados em muitos casos de corrupção.

Em determinado momento, o grupo fechou a avenida Afonso Pena por alguns minutos. Motoristas reclamaram e a Polícia Militar (PM) pediu para os manifestantes saírem da via.

Quadro Pedofilia, exposto em museu de Campo Grande, gerou polêmica (Foto: Reprodução/TV Morena) Quadro Pedofilia, exposto em museu de Campo Grande, gerou polêmica (Foto: Reprodução/TV Morena)

Quadro Pedofilia, exposto em museu de Campo Grande, gerou polêmica (Foto: Reprodução/TV Morena)

Obra de arte não é só algo bonito a ser admirado, segundo o ator Fernando Cruz. “Isso é perfumaria, é produto do mercado. A arte serve para manifestar, para expandir pensamento e a ação humana. O público que assiste também participa no momento que reflete, compreende como aquilo que está sendo apresentado reflete no seu cotidiano e pode mudar sua forma de pensar e agir. Então a arte tem essa profundidade, de transformar o pensamento e de transformar e humanizar a sociedade”, afirmou.

Sandra Vissotto, artista plástica, destacou que todo texto retirado de um contexto pode servir de pretexto para coisas boas ou não. “Na verdade, a obra em si é um libelo contra o que acontece com nossas meninas. Campo Grande é a capital com um dos mais altos índices de violência doméstica. Isso não pode ser levado como qualquer coisa. Ela fez um trabalho exatamente conclamando que as pessoas questionem o que acontece.”

Nota de repúdio do Fórum Estadual de Cultura contra apreensão de obra de arte exposta em museu de MS (Foto: Maureen Mattiello/TV Morena) Nota de repúdio do Fórum Estadual de Cultura contra apreensão de obra de arte exposta em museu de MS (Foto: Maureen Mattiello/TV Morena)

Nota de repúdio do Fórum Estadual de Cultura contra apreensão de obra de arte exposta em museu de MS (Foto: Maureen Mattiello/TV Morena)

Em entrevista ao MSTV 1ª Edição, o secretário estadual de Cultura e Cidadania, Athayde Nery, falou sobre a polêmica. “A arte é algo que você tem que respeitar as manifestações. Todos podem aí construir seus pensamentos. Na análise da artista, ela quer suscitar o debate em relação a isso, que existe na sociedade essa trágica situação. Da outra parte, pessoas que se sentiram afetadas com isso. É construir a partir disso algo que possa melhorar, mas que as mães, os pais, as crianças, os jovens sejam orientados de que isso é inaceitável do ponto de vista da convivência humana, porque estraga indelevelmente a vida de uma criança.”

Integrante do Comitê de Enfrentamento da Violência e de Defesa dos Direitos Sexuais de Crianças e Adolescentes de Mato Grosso do Sul (Comcex-MS), Estela Escandola afirmou, em entrevista ao MSTV, que retirar um quadro é retirar de todos um direito à discussão. “É um quadro que deve ser visto por todo mundo, deve ser pensado, deve ser refletido, e deve mais do que isso, ser discutido com toda sociedade o que é que está acontecendo hoje, porque que a violência sexual acontece.”

Polêmica

Deputados estaduais de Mato Grosso do Sul registraram, na quinta-feira (14), um boletim de ocorrência contra a artista plástica Alessandra Cunha, de Minas Gerais. Ela expõe obras no Museu de Arte Contemporânea (Marco) de Campo Grande. Para os parlamentares, os trabalhos fazem apologia à pedofilia. O título da obra que gerou polêmica é "Pedofilia".

A obra responsável pela polêmica foi lacrada e apreendida pela polícia. Para o delegado da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Fábio Sampaio, o quadro faz apologia ao estupro de vulnerável.

A Depca já abriu um procedimento para investigar o caso. Segundo o delegado, tanto a artista, quanto os curadores do museu, podem responder pelo crime de apologia.

A exposição se chama Cadafalso. De acordo com a coordenadora do Marco, Lúcia Montserrat, as obras trazem detalhes que falam do machismo, das agressões que as mulheres sofrem e promovem questionamentos em torno desse tema. “A arte não é uma coisa passiva, e sim e discussão, de reflexão, de enfrentamento da realidade.”

A exposição foi tema de um debate na Assembleia Legislativa durante a sessão de quinta-feira. Deputados alegam que as obras possuem conteúdo erótico e fazem apologia à pedofilia. Além da retirada das obras, eles pediram a inclusão da artista no cadastro estadual de pedófilos.

Depois da polêmica, a classificação etária da exposição passou de 12 para 18 anos e termina no próximo domingo (17). Alessandra Cunha mora em Uberlândia (MG) e disse que, se quiserem incluí-la no cadastro de pedófilos, vão ter que provar.

  • Campo Grande
  • Mato Grosso do Sul

 

 

 

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