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Roubo de pirarucu na várzea preocupa comunitários no Lago Novo, em Santarém

Um pescador foi baleado enquanto fiscalizava o Lago Novo, próximo à comunidade Pixuna do Tapará, em 2015. O manejo do pirarucu tem sido uma alternativa para evitar a extinção da espécie.

 
 -  Roubo de pirarucu na várzea preocupa comunitários do Lago Novo, em Santarém  Foto: Sapopema/Divulgação
Roubo de pirarucu na várzea preocupa comunitários do Lago Novo, em Santarém Foto: Sapopema/Divulgação

Moradores da comunidade Pixuna do Tapará resolveram fazer um rodízio de pescadores para evitar roubos de pirarucu no Lago Novo, em Santarém, oeste do Pará. Para isso, dividem-se em equipes que ficam de plantão durante a madrugada.

Seis equipes foram divididas entre 80 homens da comunidade, para que o lago não fique desprotegido no período de setembro a abril. Por noite, duas equipes ficam em pontos distintos fazendo o monitoramento. A espécie de alto valor comercial atrai muitas pessoas que ameaçam os fiscais voluntários caso sejam interrompidos durante os furtos.

Ao longo do ano, os pescadores cumprem a escala severamente. Quem falta no dia do plantão, paga uma multa de R$40. O acordo firmado entre eles é uma forma de evitar que o pirarucu seja capturado.

Um dos pescadores, Antônio Ferreira, relata um roubo que aconteceu em 2015, quando uma equipe finalizava as atividades e foi surpreendida por uma embarcação desconhecida na área. “A gente vinha da fiscalização, e os ladrões estavam roubando em uma bajara. Era cinco da manhã. Eu não escutei tiro nenhum. Parece que me jogaram uma vara que pegou bem em cima do coração. Ai eu cai com muito sangue. Fiquei lá parado e ele continuou atirando”, narrou.

O companheiro de fiscalização de Antônio, o pescador João Pedro da Rocha conta que deitou na embarcação de pequeno porte e acionou o acelerador para conseguir se salvar e levar a vítima para atendimento médico na cidade. Apesar do susto, Antônio sobreviveu e continua com a bala alojada no corpo. A retirada do projétil é arriscada e não foi autorizada pelos médicos que acompanharam o caso. Com o raio-X em mãos, o homem prova que o relato não é história de pescador.

O pescador Antônio Ferreira mostra o raio-x que comprova a bala alojada em seu corpo (Foto: Sapopema/Divulgação) O pescador Antônio Ferreira mostra o raio-x que comprova a bala alojada em seu corpo (Foto: Sapopema/Divulgação)

O pescador Antônio Ferreira mostra o raio-x que comprova a bala alojada em seu corpo (Foto: Sapopema/Divulgação)

Devido o risco de extinção do pirarucu alguns pescadores resolveram apostar no manejo. Como é o caso de Roberto Mafra, que possui 28 viveiros com quase quatro mil pirarucus, entre engorda e matrizes. Na área, os peixes são alimentados todos os dias com grande quantidade de ração, importada de outros estados, o que gera um custo alto na produção.

Para o professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Charles Hanry, o que acaba viabilizando essa perda de mercado pela concorrência é que o nosso custo de produção é maior que o custo de outros estados. “O peixe comercializado nas feiras e mercados de Santarém sofre comparações de valor com o produto fornecido do estado de Mato Grosso. Esse gasto equivale a quase 60, 70% do custo de uma produção e faz com que o produto fique caro. Assim fica difícil competir, porque o estado do Mato Grosso tem suas fábricas próprias.” explica.

Em média, um produtor local fornece ao mercado o quilo do pirarucu a R$7. Nas feiras o valor oscila entre R$18 e R$20. Todas as dificuldades enfrentadas pelos pescadores e produtores, geram prejudicam a produção e encarecem o produto. Pensando nisso, a Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema) está finalizando um plano para que a pesca na região do Baixo Amazonas, de fato se desenvolva.

Devido o risco de extinção do pirarucu alguns pescadores resolveram apostar no manejo (Foto: Sapopema/Divulgação) Devido o risco de extinção do pirarucu alguns pescadores resolveram apostar no manejo (Foto: Sapopema/Divulgação)

Devido o risco de extinção do pirarucu alguns pescadores resolveram apostar no manejo (Foto: Sapopema/Divulgação)

  • Santarém

 

 

 

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